07 junho 2009

A família e suas diferenças

Uma vez, num desses cadernos de recordações, meu pai escreveu para mim "que tem uma mão de quatro dedos e todos eles são diferentes". A declaração faz menção as quatro fihas que tem e como são diferentes entre si. Achei-a linda e correta. Por que temos que ser iguais?

Minha família é composta por pessoas diferentes. Temos gay assumido desde que "se entende por gente". Temos lésbica que descobriu sua opção depois de uma relação heterossexual e filhos. Temos homens que construíram duas famílias quase que simultanamente. Temos amigos bissexuais. Temos filhos com dois pais. Temos irmãos de raça diferente.

Descobri recentemente que tenho um sobrinho que gosta de dançar balé. Embora não moramos próximos, acredito que ele irá enfrentar situações desagradáveis em sua vida. Sou extremamente contra a esteriótipos, acredito que cabe à família e a escola desmontá-los, veicular conhecimentos objetivos e fomentar nos jovens a capacidade de defender sua personalidade, sua opção e respeitar o que é diferente aos seus olhos.

Já meu sobrinho mais velho vive numa crise de personalidade. Numa família que ama samba, ele escolheu o rock. Numa família de tantas crianças, ele é o único adolescente. E, além disso, tem um pai ausente, violento e irresponsável. Imagino que sua cabeça deva estar "à mil", pois se mostra calmo e impaciente em questão de segundos, são tantas mudanças, tanta gente falando. A verdade é que com adolescente o diálogo é fundamental, a partilha de ser constante e a atenção (entenda-se, não perseguição) tem de ser redobrada. Não sei se todos os familiares estão prontos, mas sei que mãe, avó e tias também são responsáveis para evitar que eles se sintam tão perdidos.

4 comentários:

Brechó Maluco disse...

Oi!

Vim te convidar para conhecer meu cantinho!

Passa lá:

http://brecho-maluco.blogspot.com

Bjks

Fla disse...

É, família é uma coisa estranha. A minha por exemplo também tem umas figuras bem esquisitas.
E viva as diferenças.
Beijos
Fla

Roberta Bernardo disse...

Oi, Rosi. Sempre dificil lidar com as diferenças, quebrar tabus e paradigmas. Mas cabe a quem tem a mente mais aberta a elas abrir os caminhos e orientar.
Sabe que seu papel vai ser de esclarecedora disso tudo, né?
Que você tenha sabedoria pra lidar com essa situação, pq permitir que os outros façam suas escolhas com segurança e apoio é fundamental.
Adoro balé e acho ótimo que alguns homens optem por isso, porque senão não teríamos essas demonstrações magníficas que vemos aí. Que venha o sucesso pra ele e a serenidade pra toda família!
Bjks, Beta

Suzana Mattos disse...

Eu concordo com você e afirmo que tive total apoio da minha mãe, avô e avó na minha empeitada.
Não foi fácil, mas foi simples colocar um ponto final numa relação dolorosa que era a minha com o meu pai. Enfim, só que sofre sabe, por isso, estou feliz em saber que tenho novas pessoas na minha família que se preocupam comigo, certo Rose?

Beijos