19 julho 2009

Feliz aniversário

Hoje é aniversário do meu pai. Apesar de não sermos tão próximos, a doença dele decidiu resolver essa distância.

Desde sempre ele fuma, e fuma muito. Agora, aos 63 anos, o cigarro começa dar sinais dos estragos que causou. Ele está com a porcentagem de ácido úrico elevada, e por essa razão, suas pernas e pés estão inchados a ponto de impedi-lo de andar. Como se não bastasse, ele mora sozinho, e todo mundo sabe que a medida que envelhece a pessoa fica mais teimosa com horários e regras..

Agora nós, as filhas que sofremos também com um pai ausente e irresponsável, temos que ajudá-lo, levar ao médico, comprar remédios, fazer comida. Nos últimos dias fizemos uma peregrinação nos hospitais públicas em busca de um atendimento digno, embora a espera dure geralmente cerca de 03 horas. Vimos essa situação diariamente na TV, mas quando a vivemos ela toma uma proporção muito maior.

A verdade é que meu pai não larga o cigarro por nada, diz que é um companheiro, que o acalma. E mesmo conversando, o médico explicando e até proibindo, ele não entende ou será que não consegue? Percebemos que ainda tem um agravante e este é o crucial: ele perdeu a vontade de viver. Sabemos que em toda nossa vida, devemos nos preocupar com o que plantamos, pois a colheita pode ser amarga. Como família, temos motivos para não ajudar, haja vista seu passado, comportamento, atitudes, mas como deixar de lado uma pessoa que faz parte de você? Como ignorar um pedido de ajuda?

Tenho vivido momentos de profunda reflexão quanto a missão de cada um. Sei do meu papel de filha e não julgadora do que ele foi. Sei que amar incondicionalmente é algo muito aquém do que sinto, mas há respeito acima de tudo com ele e com meus princípios.

7 comentários:

Nana disse...

Rosi, parabéns pelo papai, olha amar é muito diferente em todos os sentidos, pq perdoamos linda.
Mesmo ele errando, respeite a vida dele, é apenas dele e ame profundamente, um dia vc poderá sentir falta.
Bjss

Luci Cardinelli disse...

Olá Rosi! Entendo muito bem o que vc está sentindo. Eu vou muito mais além nas palavras, costumo dizer que não tive pai.
Cuidei dele e de minha mãe até o final, morreram com menos de 2 meses de diferença por problemas diferentes. Minha mãe foi a pessoa mais importante da minha vida,a mais forte que conheci e teve parkinson e demência parkissoniana que é igual ao alzeimer.Ele teve o sexto derrame e broncoaspirou... Enfim, eu sempre cuidei dos dois da mesma forma, só que dizia que prá ela fazia por amor e prá ele por obrigação. Porém ele no hospital e apesar de tudo sempre procurei dar aquilo que não sentia. Uma vez ele me pediu perdão e eu disse que não havia o que perdoar, que eu o amava. Eu queria que ele tivesse uma final tranquilo e eu sabendo que fiz tudo que poderia.
Faça tudo que vc achar que deve, afinal vc não é como ele, e no final eles são produtos de uma época muito diferente. Muitos deles não deram porque nunca receberam. Muito triste.
Que Deus lhe abençoe!

bjus

aqui, no meu primeiro blog, na sétima postagem de cima prá baixo vc pode ler melhor sobre o que eu senti.
http://www.blueangel2.blogger.com.br/

Verônica Cobas disse...

Rosi,

Sempre usei para mim mesmo a alegoria de um livro de páginas vazias. Só assim conseguia explicar minha relação com meu pai. Ausente toda a vida, morando em um outro pais desde que eu tinha dois anos de idade, como ter história com ele? Mas como também dizer simplesmente que ele não existia na minha vida? Tínhamos, como temos, uma história em comum, contudo de páginas brancas. Sem fotos, sem texto, sem sentimentos desenvolvidos, alimentados, além de algo que biologicamente se impõe. Nada mais. Ou tudo isso.
Lendo teu post, pensei em vários sentimentos: o da generosidade, que é e deve ser maior até mesmo que a paternidade; da compaixão, que é uma experiência maior e único quando conseguimos trazer para nossa vida.
Acho que é isso! E tantas vezes a vida nos leva a repensar e reconstruir formas de amar, não é?
Só queria completar com uma coisa: o vício do cigarro é cruel e, para muitas pessoas, impossível de ser vencido. Minha mãe tem Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e fuma. Hoje, escondido de mim. Mas fuma. E já acho realmente que ela deve fazê-lo se se sente melhor assim. Buscar a felicidade é, não raras vezes, uma torta e complicada viagem.

Beijo Grande. Vê

Cláudia Ramalho disse...

Rosi, meu pai fuma desde os 9 anos. Tb pensa igualzinho ao seu. Nem quero imaginar quando um dia isso acontecer a ele. Sim, porque é questão de tempo, né? Já foram 3 infartos e ele não mudou de pensamento.

Tb não foi dos melhores pais do mundo. Mas foi o que eu tive. E apesar de ter minhas queixas, faria a mesma coisa que vc.

Boa sorte na luta pelo atendimento digno.

Uma ótima semana.

Fla disse...

Te mandei um email tá.
Bjs
Fla

disse...

Rose,
Adorei a forma delicada e ao mesmo tempo tão forte do seu texto.
Simplesmente lindo!
Bjs

Fabi Carvalhos disse...

É, Rosi, perdoar os erros alheios já é difícil, imagina quando é de alguém próximo, que deveria ser nosso herói? Tb venho trabalhando minha relação com meu pai, sempre muito tumultuada pela semelhança de temperamentos. Ele e eu somos bem explosivos, impacientes. Almas qe precisam aprender muuuuito ainda. Mas é isso aí. Deixar-se aprender. Respeitar o tempo de cada um. Respeitar as diferenças. Respirar fundo e entender que cada ser humano tem seu caminho e destino por aqui. Cada um com sua bagagem para carregar, né? Só nos cabe ajudar com o que podemos, com as ferramentas que dispomos, mas sem querer carregar o fardo alheio. Bjs, querida! Fabi.