22 maio 2013

A culpa voltou

Dia desses, uma colega de trabalho chegou chateadíssima com o comportamento de sua filha adolescente. Num momento de fúria, a menina resolveu jogar em sua cara todas suas frustrações e o fato de não ter muito tempo para ficar com ela e os irmãos.

Ouvindo a história, no primeiro momento pensei que essa menina merecia uma bela surra pelo circo que armou durante uma reunião familiar. Mas depois, pensando melhor, entendo que tudo que ela estava pedindo, ou melhor, implorando, era a atenção e o tempo da mãe. Compartilhei esse pensamento com minha colega.

E, é claro, aquele sentimento de culpa voltou. Afinal, eu também fico muito tempo distante do meu pequeno. Trabalho as 44 horas semanais e mais algumas horas extras. Além disso, moro na Zona Norte e trabalho na Zona Sul, são 28hm de distância e como meu expediente começa às 08h, obrigo filho e marido a acordar muito cedo (5h30) para começarmos nossa jornada. Ficamos os três 4 horas no trânsito, é claro que esse período pode se estender se o trânsito estiver carregado. Aí o pequeno acaba desmaiando de tanto cansaço e sono na cadeirinha, chegando em casa no colo e indo direto para o berço.

Marido leva e busca na escola. É ele quem repassa as instruções às Tias da escola, que repassa à mim as informações que elas fornecem sobre o dia do Dudu, sobre eventos, atividades, necessidades...enfim.

Dudu está novamente doentinho. Meu filho que era super saudável e teve pouquíssimas gripes, está no maior repeteco da dupla coriza e tosse. Sei que muito disso é o fato de sair tão cedo de casa e pegar aquele friozinho da manhã. E isso me mata, gente!

Queria poder participar mais da vida escolar do meu filho, queria ser a primeira pessoa que ele visse quando  saísse da escola; queria não precisar acordá-lo quase de madrugada todos os dias; queria que não ficasse tanto tempo dentro de um carro todos os dias; queria que ele não precisasse tomar banho logo cedo, dando margem para uma nova gripe; queria que eu não fosse obrigada a ter que trabalhar tanto e tão longe de casa sacrificando o descanso e rotina da minha família para que eles possam ter uma vida mais confortável.

7 comentários:

Jackeline Graça disse...

Oie, olha eu de volta. Rosi eu tenho uma conhecida, já adulta hoje, que teve esse problema com pai e mãe. Mas sabe uma vez ela me disse " Jacke, meu sempre trabalhou muito e quase não tinha tempo pra gente, mas diferente da minha mãe ele fazia cada minuto junto valer a pena, então eu tenho muito mais respeito e consideração por ele do que por ela, que trabalhava demais e no tempo livre não fazia a menor questão de dar carinho, de participar, de saber o que acontecia comigo."

Eu também trabalho mais do que eu gostaria, mas mantenho isso em mente, fazer valer cada minuto que eu tenho com o Davi. Eu tenho a possibilidade de ir pra casa almoçar, e tem dias que nem como só pra poder levar ele até o colégio. Sei que pra você é pior, mas pense nos fins de semana, em se dedicar, e eu acho que você já dedica, o tempo a ele, fazer com que esses dias em casa valha toda a semana longe.

Quanto a tosse e coriza, acho que estão todos assim, o Davi não pega friagem mas está a dias com tosse e nariz escorrendo mesmo medicado. Não se culpe tanto, use essa sensação para impulsionar suas atitudes.

bjussssssssssssss

Jackeline Graça disse...

*** Meu pai

Cátia Lima disse...

Olá...

Gostei muito do seu post.

Eu ainda n tive bebê, será para o ano que vem.

Eu moro em RJ-São Gonçalo e trabalho no centro. Saio de casa entre 6.15h/6.30h. Só chego em casa depois das 20h. Não é uma possibilidade deixar de trabalhar, pois mesmo trabalhando não sei como pagarei a creche que é muito cara. E por aí vai...

Quanto ao comentario da filha de sua amiga é complicado. Tenho uma amiga que culpa a mãe pela vida que ela tem (por ter engordado, por não ter interesse em estudar, por ter engravidado e outros mais), mas atualmente ela é mãe e tem que deixar a filha pra trabalhar e contribuir para o sustento da filha. Nunca parei para perguntar a ela o pensamento dela agora em relação a mãe dela, mas acho que não mudou, pois ela justificaria que o pai trabalhava e não tinha necessidade da mãe trabalhar. Depois de alguns anos, o pai dela deixou a mãe por outra mulher. Agora pense: imagine se a mãe dela tivesse deixado de trabalhar para cuidar exclusivamente dela? O que seria da mãe dela com mais idade voltar ao mercado de trabalho?
Enfim, a decisão de continuar a trabalhar é para prover um futuro melhor ao seu filho. Poder comprar roupas melhores, pagar escolas melhores, possibilitar a ele ir em todos os passeios pagos do colégio, fazer um curso de inglês desde cedo e por aí vai.

NÃO SE CULPE! ESSA É A NOSSA VIDA MODERNA!

bjs

Thania disse...


Sabe Rosi eu tento imaginar como vc se sente...eu nao trabalho fora, mas mesmo assim a Anna vai a escola integral! Tb saimos de casa cedo, mas num primeiro sinal de qlq gripe, eu fico com ela em casa...mas imagino a sua angustia, medos, frustrações e culpas!
mas não acho q deva se sentir assim...
Se vc sai pra trabalhar diariamente e tem essa rotina maluca, isso nada mais é do q pro bem do Dudu!
Pra poder dar a ele uma estabilidade, dar conforto a ele e tudo mais...isso é LOUVAVEL!
De coração!
Eu nao tive essa coragem...embora nao falte nada a Anna eu sei q se eu tivesse continuado a trabalhar, ela teria MUITO mais!
Isso nao é egoismo e nem consumismo e nem nada disso...é apenas querer dar ao filho o nosso melhor!
Mas como TODA escolha tem seu lado ruim, temos q abrir mao de uma coisa pra ter outra! Isso é geral, pra todo mundo, por isso nao se culpe dessa forma!
Eduque seu filho pra q ele nao faça como essa adolescente! Pq no fundo isso é sim um pouco de educação e não somente a "ausencia" da mae na infancia...vc supre tudo isso nos fds e feriados...Dudu sente isso!
Vai por mim!
Fica bem!
Saudade!
Beijos

Creuza Moura disse...

Rosi,
Você é uma excelente mãe.
tua luta foi e ainda é a minha, sempre trabalhei, moro na zona norte do Rio e trabalho no centro, filhote sempre ficou em creche, (que é um cleiro de virus), e concordo com a Jackeline Graça quando o que importa mesmo é a qualidade do tempo que vocês passam juntos. hoje meu filho tem 13, o coração aperta ainda a cada apresentação da escola de musica que eu não posso ir é um coração apertado, mas ele sabe que todo o esforço é para ele no final das contas, ainda hoje conversávamos que ele nunca estudou a tarde, e que quando era pequenino dizia que a creche era o trabalho dele, e hoje ele não sabe ficar sem atividade dirigida, é uma criança mais despachada e independente. e acima de tudo ele se sente feliz com a rotina que tem.
(fizemos um teste e dexamos ele em casa nas ferias de dezembro/ janeiro, ele enlouqueceu na casa da avó, por ter muito tempo livre! kkkk)
Relaxa porque desta vida a gente leva aquilo que a gente vive, então viva sem culpa e feliz coom o seu pequeno
Super beijo

Cláudia Leite disse...

Rosi,
Esse sentimento é compartilhado por praticamente toda mãe que está nesa luta!
Foi uma escolha que fizemos, pensando no melhor da família. Tem fases que sentimos mais essa culpa msm, especialmete quando eles ficam dodois, parte o coração ter que deixá-los em dias assim...
mas vc tem uma boa posição em seu trabalho neh? Então faz valer melhor o sacrifício.


bjo!

Rosi disse...

Ah, meninas

Muito obrigada pelas palavras. Já me sinto um pouco melhor em saber que há muitas mães que tem uma rotina doida como eu e se sentem da mesma forma...

A vida é doida, mas a gente sempre dá um jeitinho.

Bjs no coração de vocês