05 fevereiro 2010

Gente que faz

Coisa de fé

Religião é mesmo uma coisa que não se discute, mas quando falamos de fé é realmente uma unanimidade. Convidei Raquel Cecília, uma amiga blogueira que chegou de mansinho e descobrimos várias afinidades entre nós, uma delas foi a religião. Convidei essa querida amiga para contar um pouquinho daquilo que a move.

Para você, fé é sinônimo de religião?
Absolutamente não. A fé é a esperança alimentada pela certeza que vem do nosso âmago, não sabemos nem podemos explicar de onde ou porque, mas ela está lá. Por exemplo, quando um otimista se recusa a acreditar que as coisas não vão melhorar, ali ele está agindo com sua fé.
A minha vida toda não me converti a religião nenhuma, mas eu tinha uma fé. Por ter frequentado a religião evangélica quando criança e parte da adolescência, me identificava com ela mas não o suficiente para ser batizada. Eu acreditava (acredito) em Deus, e também em seu filho como salvador, mas alguma coisa naquela religião me incomodava: a falta de crença na vida após a morte.
Minha mãe já era do Candomblé, pois ela passou a acreditar e cultuar essa religião mais ou menos quando eu nasci, e como eu sabia da crença dela e também do irmão dela que era do espiritismo de Alan Kardec, para mim parecia muito claro que havia sim vida espiritual após a morte. Então, depois de passar anos visitando igrejas, centros espíritas, templo messiânico e etc. me encontrei de vez na Umbanda, e lá estabeleci minha fé.
Então, eu mais do que ninguém posso dizer que para alimentar a fé não é preciso uma religião, isso é só uma questão de escolha.

Qual é sua religião e em que ela consiste?
A religião que sigo é a Umbanda com fundamentos no Candomblé. É um assunto bem extenso a diferença entre um e outro, e pode não ser do interesse de todos.
Ao meu ver a Umbanda, seu fundamento e propósito, consiste em duas palavras: caridade pura.
É uma religião que prega a caridade aos desconhecidos tanto quanto aos conhecidos, que não devemos esperar por recompensas ou agradecimentos, apenas trabalhar em prol do bem do próximo para nosso crescimento espiritual e para o crescimento alheio.
Ao contrário do preconceito de muitas pessoas, a Umbanda não pratica e não aceita a prática do mal - vamos dizer assim - o que quer dizer, que uma pessoa que chegar a um centro espírita Umbanda pedindo para fazer maldades ou prejudicar outras pessoas, ela não receberá essa ajuda, mas sim o contrário. Essa pessoa que carrega o rancor e raiva será ajudada para deixar de carregar tais sentimentos e de desejar coisas negativas para outros.
A Umbanda é assim, é a bondade, a caridade, a irmandade, o amor, a paz... É axé, que resume todas essas coisa.  Poderia dizer que a Umbanda é luz.

Em qual momento de sua vida, a fé foi o fator mais importante?
É difícil dizer um momento, pois a fé sempre foi uma constante em minha vida, fosse em qualquer religião que eu estivesse envolvida no momento (como eu disse, frequentei várias religiões até me encontrar).
 Acho que posso dizer que foi há cerca de 5 anos atrás quando passei por um rompimento muito doloroso, e como pode acontecer com qualquer um, cheguei a pensar em tirar minha própria vida. Acredito que estava entrando num estado de depressão para o qual precisava até de ajuda psiquiátrica, mas não tinha quem me ajudasse nessa época, porque minha família considerava "essa história de depressão uma frescura e falta de palmadas". Nesse momento a fé me levantou, com a ajuda de anjos em forma de gente que foram meus amigos leais e me mostraram como a vida era muito mais importante do que amores e desamores. Foi com a fé em Deus, no futuro e em mim que consegui me reerguer, me amar novamente, e me encontrar.
Como diz uma passagem na bíblia "a fé move montanhas", eu diria que a fé também salva vidas.

Para aqueles que não têm fé, deixe um recado.
Mesmo para afirmar que não se tem fé, existe a fé na falta dela. Tudo em que acreditamos e defendemos é fé. A fé é a certeza que carregamos, por isso não acredito que seja possível existir um ser humano sem fé, o que pode haver é um ser humano sem crenças e religião.
Para essa pessoas não tenho o direito de dizer nada além de: por que não dar uma chance antes de tomar sua decisão? Conheça, explore, vivencie e experimente. Eu o fiz, e me encontrei, pode acontecer também com você.

Raquel tem um blog super gostoso de ler que traz assuntos pra lá de especiais. Quer conferir? Acesse: http://simplesoriginal-quel.blogspot.com/

* Essa entrevista é em comemoração ao dia de Iemanjá que comemoramos em 02/fevereiro.
* Essa entrevista é totalmente imparcial quanto a religião dos leitores.

9 comentários:

:: Nanda :: disse...

Confesso que sempre tive um pouco de preconceito em relação a religião Umbanda e Candomblé.
Isso se desfez completamente em Dezembro de 2009 quando estive em Salvador e conheci um baiano pra lá de atencioso que nos levou no Gantuá e explicou exatamente o que a Raquel falou.. que esta religião é pura caridade e bondade. Eles não alimentam o mal.
Adorei a entrevista! Rosi, você como sempre, foi muito inteligente nas perguntas!
Mas posso esperar pela publicação da minha rs.
beijos e bom fim de semana

Juh disse...

Oie =O)

Passando pra dar um oi e dizer que tá um rolando um sorteio lá no Talktojuh! Não fica de fora heim!!!

=********

Katia Bonfadini disse...

Oi, Rosi! Muito interessante o assunto de hoje. Eu me considero agnóstica, não tenho religião apesar de ter sido criada como católica. Sinto muita vontade de acreditar em algo, principalmente numa continuação da nossa existência terrestre, mas até hoje não me identifiquei com nenhum credo. De qualquer maneira, acredito em boas ações e pensamentos, na caridade, no respeito e na harmonia. Vou vivendo tentando estar de acordo com esses princípios. Beijos e um ótimo final de semana!

Leticia disse...

Oi Rosi,
gostei muito da entrevista... e como você também me identifiquei muito. Sou católica de batismo, já fui atéia quando mais nova. Depois de muitas andanças, fui parar em um Centro Kardecista por acaso (não existe acaso), em um momento muito difícil da minha vida. Algum tempo depois, conheci a umbanda, me iniciei, fui batizada, trabalhei por lá. Como aquelas coisas engraçadas da vida, fui parar em um outro centro, porque aquele já estava fechando o ciclo comigo... conheci meu noivo. Também trabalhei nesta casa por um bom tempo (ele trabalhou por quase 12 anos), depois de comum acordo deixamos os trabalhos nesta casa. Me sinto um pouco "orfã" de casa para frequentar e trabalhar, mas sei que isso é questão de tempo e que logo logo encontrarei um novo lugar para continuar a crescer espiritualmente e trabalhar.
Parabéns para as duas!
Beijos
lelê

Cláudia Ramalho disse...

OI, Rosi, eu nasci católica, fui catesquista e pensava em ser freira até os 17 anos.
HOje estou mais afastada da igreja católica mais professo minha fé ao meu modo. Acho que Deus está em toda parte e em todas as pessoas.
REspeito a opinião e a religião dos outros, pois afinal de contas, as maiores guerras foram provocadas por intolerância religiosa.

Não conheço o suficiente sobre o candoblé ou a umbanda para firmar opinião a respeito.

Admiro alguns fundamentos do espiritismo, do budismo e do catoliscismo, é claro.

A caridade está em todos eles.
Bjks

Elaine disse...

Porque será que a Umbanda e o Candomblé carregam este estigma de algo maldoso? Meus pais já frequentaram um centro Umbandista (é assim que se fala?) quando eu tinha por volta dos 4 anos. Eu e meu irmão não gostávamos muito, talvez pela pouca idade e por não entender.
Minha vó é católica fervorosa e fomos educados em colégio católico, mas apesar desta minha formação ainda não me encontrei no sentido religioso. Assim como a Raquel tenho fé e acredito no Ser superior, falta-me a identificação com uma religião específica.
Meus filhos recebem hoje educação católica por causa de minha formação e tb pq meu marido é católico praticante. Na idade deles não acho ruim, acho mesmo que pior é não ter nenhuma formação religiosa qq que seja. Pela minha experiência vejo que todas as pessoas, em um determinado ponto de sua vida questionam os ensinamentos que lhe foram passados. Portanto penso que chegará a hora em que meus filhos apesar da formação religiosa que tiverem, poderão avaliar se indentificam-se com tal ou não e poderão por si só buscar sua própria religião, assim como eu venho buscando.

Bjs, Elaine

Luci Cardinelli disse...

É a fé em Deus e nos seus ensinamentos que sempre me mantiveram firme e me ajudaram a passar por momentos difíceis e a agradecer tantas coisas boas que me aconteceram.

Ótima a entrevista !

beijos

Mauricio disse...

Oi Rosi!!!

Menina fiquei muito feliz com a minha participação aqui! Muito obrigada por me convidar!

Infelizmente acabei não publicando um post no meu blog avisando meus leitores sobre ela, justamente porque na sexta feira desde cedinho eu estava fora cumprindo minhas obrigações religiosas e ainda não consigo publicar posts programados, não sei porque!

Mas não tem nada não, hoje eu vou postar mesmo assim, não tem problema estar um pouquinho atrasada!=^^=

Bjinhu linda!

Mutumba axé!

Irene Moreira disse...

Olá Rosi
Estou aqui lendo a entrevista aa Raquel e o que posso dizer, ou melhor, acrescentar é que ninguém vive sem fé , sem acreditar numa força superior - responsável por esse mundo onde vivemos - essa natureza que nos dá força e enregia. Seja a forma como o ser humano acreditaÕ seus Deus é um só para todos nós.
Existem muitos trabalhos espirituais em prol dos necessitados, do próximo. Conheço vários e posso citar o:
- MAB - Movimento de Amor ao Próximo - que tem umas história e um trabalho muito bonito em ajuda dos que precisam.
- Lar Teresa onde meu cunhado e familia se dedicam em trabalho comunitário ajudando a todos - deficientes , drogados, doentes,carentes.
Bem o importante é que foi uma entrevista magnífica a da Raquel e pode se dizer que é uma liução de vida.

Vou conhecer seu mundinho,pois sou uma pessoa que está sempre em busca de novas realizações, novos sonhos, e é isso ue mantém a minha qualidade de vida.

Beijos

Meus blogs:
M@myrene e A Vitrrine de Sonhos