Mostrando postagens com marcador Gente que faz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gente que faz. Mostrar todas as postagens

07 maio 2010

Gente que faz

Caminhos do Coração

Nós mulheres somos vocacionadas para a procriação. Nosso corpo, o desenho dele e nossos hormônios foram criados para isso. Será que a generosidade humana só se expresse naquelas pessoas que deram filhos ao mundo? Mas quando isso não acontece? Quando o percurso da nossa existência toma outros rumos? Convidei a querida amiga, Elaine Gaspareto para divagar sobre o assunto e ela nos presenteia com uma bela história de coragem e determinação, características tão comuns nas mães, mesmo sem ter filhos.

*Atualmente, vemos mulheres inteligentes, independentes, profissionais bem-sucedidas e casadas abdicando-se do ato de ser mãe. Isso faz parte da sua vida?
Eu não diria que tenha abdicado. Na verdade não foi bem uma escolha, embora nunca tenha sido muito maternal. Sabe, eu acho que Deus prepara nosso coração para as coisas que virão… Sou casada há quase 15 anos e no começo do namoro não falamos de filhos; parecia coisa natural, que aconteceria e pronto. Quando casamos decidi não tomar pílula mas usar o método Billings. Havíamos acabado de completar dois anos de casados quando perdi o primeiro bebê com cinco semanas de gestação. Amigos e família nem ficaram sabendo...Toda a alegria e toda a expectativa daquela criança, todos os sonhos, todas as perspectivas que uma criança necessariamente traz de repente deixaram de existir. Ambos jovens, o médico disse que uma em cada seis gestações termina em aborto espontâneo. Alguns exames e fomos orientados a "tentar" de novo daí a seis meses. Tentamos. Em um mês veio o 2º aborto e aí já foi realmente alarmante. Mais exames, mais dor, desgaste, incertezas... Então veio, meio sem querer, a 3ª gravidez, três anos após o 1º aborto. E mais uma vez, após quatro semanas, de uma gestação mantida em segredo tanto quanto as anteriores, mais um aborto. E o diagnóstico, enfim: má formação uterina, baixa contagem hormonal e a natureza se encarregando de eliminar um feto que não iria sobreviver. Tratamento, dor, raiva, depressão, e nada de resolver o que, sabemos hoje, não se resolve. Apenas se aceita. Mas o tempo passou. Já foram cinco abortos espontâneos. Até que paramos de tentar. Ninguém agüenta tanto desgaste, tanta dor. Tem idéia do que passava pela minha cabeça quando olhava o marido dormindo ao lado, sabendo que ele nunca seria pai por causa de mim? Tem idéia do que eu sentia quando o via pegar no colo cada criança? Eu sentia como se roubasse algo que é um direito dele... Consegue mensurar a carga de culpa? Como um casamento sobrevive a isso? Só por Deus. Embora varie de mulher para mulher, quem passou por um aborto espontâneo sabe o que é: dor parecida com contração e no fim apenas mais um bebezinho morto. Depois, dependendo do caso, curetagem, antibióticos. Dor no corpo, na alma e no coração. E a tristeza... Talvez lendo isso muitos compreendam porque sou radicalmente contra o aborto provocado. Talvez entendam porque eu nunca falo sobre isso; apenas três amigos sabem. Talvez entendam porque eu amo tanto os animais. Afinal são o receptáculo de tanto amor acumulado... E entendam porque os sobrinhos são tão importantes para mim. E entendam que eu gosto de solidão pois quando se está sozinha não precisamos explicar certas coisas...

Elaine, uma mulher de fibra

*E como essa decisão atingiu sua família?
Desde o começo eu optei por não contar nada a ninguém. Isso faz parte da minha personalidade. Quem lê o blog talvez não faça ideia do quanto eu sou travada e reservada. O blog foi criado para ser terapia, para me fazer falar pois na vida eu jamais falo. Como disse, apenas três amigos e minha irmã sabem. Então é claro que houve perguntas. Mas apenas da parte da família do marido. Muitas perguntas pois meus sogros têm apenas uma neta. Mas um dia, numa festa de aniversário, ao ser firmemente questionada sobre quando havaria um bebê, eu disse que a partir daquele dia era bom que todos soubessem que não haveria bebê. E que esse era o motivo de eu nunca ir às festas e reuniões de família. Levantei e fomos embora. Passei cinco anos sem ir à festa alguma. As perguntas pararam. Mas da parte da minha família jamais houve. Ela nunca confessou, mas desconfio que minha irmã tenha dado a pista sem abrir totalmente. E o fato de eu ter uma tia que é a única dentre sete irmãs que não teve filhos meio que abriu caminho para que não houvesse tanta pergunta e tanta cobrança.

*E o assunto adoção, como você o vê?
Pensei no assunto mas nunca dei um passo concreto na direção de adotar uma criança. O motivo é muito simples: Penso que família não sou apenas eu e o marido. Inclui avós, tios, primos. E minha família jamais trataria uma criança adotada normalmente. Várias vezes ouvi isso. Há um casal de amigos meus que têm um filho adotivo, já adulto inclusive. Faz mais de vinte anos que a adoção aconteceu, mas ainda hoje ouço coisas como: “Nossa, até parece filho deles”. Não quis isso para uma criança minha. Além da minha mãe, os meus cunhados e sogros até aceitariam, mas jamais seria inteiramente. Minha mãe sempre disse que não seria neto de verdade. Parece coisa daquela novela Viver a vida, né? Mas há mais pessoas com esse pensamento do que imaginamos. Mas o motivo principal é que passou. Sabe, aquela vontade morreu. Junto com cada bebê. Sem drama, não quero comover ninguém, mas a verdade é que eu não passei por tanta dor incólume. E hoje em dia sequer falamos disso, o marido e eu. Deixamos onde ficou, no passado. Estamos felizes assim, apesar de tudo. E ele nunca falou claramente em adotar. às vezes comenta que algum conhecido adotou, mas apenas isso. E como ele já sofreu a cota que lhe cabe eu não falo.

Ela e seu xodó

*Você apoia mulheres que decidiram não ter filhos?
Eu apoio quem decidiu. Acho que a cobrança é injusta. Como quase ninguém conhece minha vida, ouvi muitas vezes que sou egoísta, que sou fria. Não acho que alguém que decida não ter filhos seja egoísta ou fria. Assim como não acho toda mãe uma santa. Se é possível escolher, escolha o que é melhor para você. Umas nasceram para ser mãe, outras não. Isso não diminui ninguém, muito pelo contrário. Ter ou não um filho não nos torna melhores ou piores. Mas a pressão social é intensa. Assim, se você sente que sua vocação não é a maternidade, prepare-se, pois as pessoas têm enorme dificuldade em aceitar o diferente. Uma vez eu fui me confessar com um padre que havia chegado há pouco na minha paróquia. Eu tinha na época sete cachorros. Ele foi bem firme ao dizer que a vontade de Deus para um casal era os filhos. Que criar cachorros era um roubo; eu estava roubando o amor e a dedicação devida aos filhos que eu não tinha. Ouvi tudo. Quando ele terminou eu contei a história para ele. Foi muito ruim. Fui embora. Francamente a opinião dos outros não me interessa pois quem sabe de mim sou eu. E eu sei muito bem quem sou. Quero dizer uma última coisa: Muitas mulheres sentem um desejo enorme de terem filhos e por variados motivos não têm. Se isso acontece com você não permita que envenene sua vida. Vá atrás do seu sonho mas saiba que um filho não é a garantia de que tudo será perfeito. E dá sim pra ser feliz sem filhos. Muito feliz, aliás. Eu sei. Eu sou.

Essa forte mulher tem um blog muito badalado. Confira aqui. 

09 abril 2010

Gente que faz

Baila comigo

Dançar é bem parecido com o ato de amar. Precisa de parceiros que, até certo ponto, devem conhecer as regras básicas do estilo musical em questão. E quando a dança vira uma paixão?  Aquela que cresce a cada giro, a cada passo novo. Letícia Lodi sabe muito bem o que é isso, afinal a magia da dança faz parte de sua vida desde sempre. Aqui ela conta tudo a respeito. Acompanhe.


Conta pra gente como começou essa paixão pela dança.
A paixão pela dança começou ainda cedo, por volta dos 4 anos. Na escola que fiz pré-primário existia uma turma de baby class e eu não via a hora de começar a praticar. Eis que o "destino" me aprontou uma peça: as professoras exigiam uma avaliação médica, com um ortopedista, para as alunas fazerem parte do grupo e eu fui reprovada. Tinha, quer dizer, tenho um encurtamento nos dois calcanhos (naquela época, eram os calcanhar de aquiles), o que me fazia andar na ponta dos pés. Fiz alguns anos de fisioterapia, mas a dança sempre ficou na minha memória. Assistia os espetáculos das minhas colegas e da minha irmã, morria de inveja de vê-la no palco (ela ganhava fantasias lindas da minha mãe para a apresentação), chegava a chorar ao ver bailarinas, tamanha a frutração. Pratiquei vários esportes: natação, atletismo, basquete, futebol e finalmente a academia (aquele momento fatídico, que toda mulher pensa que não tem outra opção na vida...). Um dia, cerca de 2 anos atrás, procurei no google por aulas de ballet, depois de ter visto uma reportagem de revista sobre aulas de ballet para adulto. Uma esperancinha nasceu e eu encontrei uma escola bem perto do meu trabalho. Era uma escola um pouco cara, mas valia o preço do sonho de me ver como bailarina. Fiz pouco mais de 3 meses de aula nesta escola e não me adaptei. As alunas eram ex-bailarinas, todas em nível intermediário ou avançado, enquanto eu não sabia nem as posições dos pés. Me sentia incapaz o tempo todo. Pensei um pouco e vi que aquilo não era adequado para mim. Nada que faça você se sentir incapaz ou inadequada deve servir para você. Resolvi procurar por outra escola e conversando com uma amiga, cheguei a minha atual escola (que estou a pouco mais de um ano). Muitos me falavam que a minha inadequação era resultado da rigidez do ballet ou dos métodos, mas na verdade, como adulta, vejo que não podemos aceitar "métodos arcáicos e rígidos" só porque falam que é assim. Hoje, me sinto bailarina, de corpo e alma, é parte do meu dia a dia e do que sou.
 
Por que o ballet?
Faço ballet clássico, nunca experimentei outras modalidades (moderno, contemporâneo ou até mesmo jazz). Desde que entrei, me apaixonei por tudo aquilo: a rigidez, a postura, os movimentos leves, porém fortes, a feminilidade, a delicadeza, as fantasias, o tule e o cor de rosa (achava que iria fazer aulas toda de preto, que rosa é cor de criança, quando vi, estava totalmente vestida de rosa! Morri de vergonha, mas amei!). Ele trouxe um lado delicado que eu nem me lembrava que tinha, me deixou em contato com feminilidade também, sem culpas ou preconceitos. Depois vieram as referências, as pesquisas e vi que nem só de princesas e fadas o ballet é feito, tem muita fantasia, mas também tem muito drama, começa a aflorar um lado teatral e artístico, que é fantástico. Do ponto de vista físico, o ballet é diferente de todos os outros exercícios que já fiz. Exige uma força e um preparo físico diferente. Não vou dizer melhor ou pior, como muitos defensores. Não é como uma corrida, mas você precisa ter fôlego para saltar, não é como musculação, mas você precisa ter muita força para fazer os balances (posições estáticas). Já pela ótima emocional, é fantástico para liberar a criatividade, a ansiedade e a timidez, afinal de contas, você pode ser o personagem que você quiser.

Como você consegue conciliar a vida profissional com o ballet?
Realmente é complicado a conciliar isso. Os cursos para adultos normalmente não exigem aulas diárias, se enquadram melhor a duras rotinas de trabalho. A evolução é mais lenta, mas você sempre se dedica o quanto pode. Da minha parte, faço 3 x por semana, que era o volume de treino semanal que tinha na academia. Se pudesse, faria mais dias, mas nem o trabalho, nem as atividades domésticas permitem (rss). Mas já acho fantástico conseguir dedicar um pouco do meu tempo a algo que gosto tanto, as pessoas deveriam se dar esta oportunidade, não no ballet, mas em qualquer atividade física: uma caminhada com alguma colega (faz bem para o corpo, para a cabeça e para a fofoca), um pouco de alongamento na sala de casa, andar de bicicleta no parque com os filhos e outras tantas coisas boas.


E as apresentações?
Este é um capítulo à parte. É um momento único. Para o bailarino e para o ator, passamos tanto tempo fazendo exercícios para um único objetivo: se apresentar. No caso de bailarinas iniciantes, intermediárias até, acho que é o momento que você percebe a sua evolução. Passei por uma única apresentação, no final do ano passado. E posso dizer, que me senti coroada pelo esforço de um ano e pouco de ballet. Vemos falhas, defeitos, mas acima de tudo, superamos o medo de subir no palco e apresentar aos nossos amigos e familiares o nosso esforço. Dá para ver no rosto de cada pai, namorado, filho, o orgulho de ter visto uma pessoa tão querida no palco e isso é gratificante. Ali ninguém almeja ser profissional, dançar em grandes companhias, ser professora no futuro, apenas deseja se sentir bem, feliz consigo mesma e realizada no seu aprendizado. É isso que faz da apresentação um momento de confraternização tão gostoso e feliz.
Os treinos preliminares são duros, exige esforço, muitas vezes chega a dor (algumas colegas se machucam por excessos, até mesmo por pequenos erros), mas tudo isso é recompensado no dia final.

Relate um dos melhores momentos vividos com a dança
Eu diria que tive 3 grandes momentos felizes no ballet: o primeiro dia, quando calçei as sapatilhas e vi que era uma das coisas mais felizes da minha vida; o dia da apresentação, que apesar do nervosismo e da superação, vale a pena e faz toda a diferença na vida (diria uma amiga minha, também bailarina: "as pessoas têm que fazer 4 coisas antes de morrer: plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho e subir ao palco"); a minha primeira aula de pontas, que apesar de difícil, dolorosa e até mesmo boba, tem um signficado além de qualquer explicação para quem faz ballet, é o momento da "maioridade" no ballet.


Lelê é a dona do Casa de Catarina, um blog tudo de bom.  Bora conhecer? Aqui.

12 março 2010

Gente que faz


EU GOSTO DE SER MULHER

Dizem que ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida. Eu concordo. Somos mãe, filhas, amigas, esposas, amantes, profissionais de uma vez só, num dia apenas. E conseguimos fazer tudo isso de maneira única. Na Semana da Mulher convidei Rejane Batista, essa blogueira capixaba misturada com mineira, carioca e com um pouquinho da Bahia para falar sobre o seu papel mais importante: ser mulher.

* Para você, o que a mulher tem de melhor?
Mulher é sempre o centro das atenções, e acho o máximo a frase: "As damas primeiro!". Mas o melhor da mulher, é poder gerar uma outra vida.

* Nos últimos anos, a ascendência e poder da mulher na sociedade aumentou significamente. Quais os benefícios que isso trouxe?
Na minha opinião, essa ascensão e destaque é uma faca de dois gumes. As mulheres lutaram tanto por liberdade e direitos iguais, que acabou se tornando uma obrigação imposta pela sociedade. Uma mulher que não trabalha e não é independente, acaba sendo vista como uma pobre coitada, que não teve ou não buscou oportunidades de crescer na vida. Acho que toda mulher, tem que estudar, tem que ter formação profissional, mas também pode ter o direito de escolha sem ser criticada ou mal interpretada. Hoje em dia uma mulher que escolhe cuidar do lar e dos filhos é como se estivesse nadando contra a maré, desobedecendo o curso natural das coisas; quando na verdade é o oposto disso. Obrigada às mulheres revolucionárias e feministas, mas gosto de cuidar da minha casa, do meu marido e dos futuros filhos... Gosto também de trabalhar e estudar, mas não gosto de assumir o papel de super mulher e dar conta de tudo. Então, na minha opinião (opinião puramente pessoal mesmo), não vejo benefícios, e sim um fardo.

* Você já sentiu preconceito por ser uma mulher em momento de sua vida?
Acho que o preconceito acontecia quando criança, quando os garotos sempre me deixavam fora das brincadeiras por ser menina, etc.; mas depois que cresci e me tornei mulher, só tirei proveito disso, pois como disse no início, a gente acaba sendo o centro das atenções, rs.

* Qual o lado chato de ser mulher?
Bom acho que são aquelas coisinhas que só acontece com a gente mesmo, como pêlos que nascem em lugares que não queremos, e consequentemente acabamos nos tornando escravas deles; menstruação, TPM, cólicas menstruais, etc.

* Em comemoração à Semana da Mulher, deixe um recado para elas.
"A mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola com as suas próprias mãos a derruba." Prov. 14:1
Parabéns e beijos para todas!

Rejane tem um blog mulherzinha bem eclético, dá pitaco sobre tudo. Quer conferir? Clique aqui.

05 março 2010

Gente que faz


Anos dourados

Normalmente, quando olhamos para o passado, nos remetemos a um passado encantado, à infância. Podemos ainda sentir seu cheiro, um cheiro de doce, de chuva, de bolo, de terra...cheiros que se misturam em um só, esta é uma grande nostalgia e temos a tendência de considerar aqueles bons dias. Fabiana Martins se mostrou uma eterna nostálgica, assim como eu, ao se lembrar da sua infância. Convidei-a, portanto, a contar pra gente os doces anos que viveu.





* Quando você lembra da sua infância, qual a primeira coisa que vem em mente?
Sensações… reviver as sensações que fizeram parte da minha infância fazem parte do meu dia a dia, sabia? De uma certa maneira são elas que dão o "start" aos temas que permeiam meus trabalhos como artista plástica. Me questiono, relembro e sinto todos aqueles agradáveis momentos intensamente. Neles busco entender um pouco mais sobre mim e como eles influenciaram naquilo que me tornei hoje.
Tive uma infância deliciosa, só tenho momentos agradáveis para relembrar. Sou a caçula dos três filhos, tive uma influência marcante dos meus irmãos, pais, tios (as) e avós. Não tenho muitas recordações da vida em São Paulo, além da escola e das brincadeiras em casa. Meus avós paternos moravam no litoral paulista e foi lá que vivi e experimentei todas as coisas boas que uma criança pode ter. A família sempre muito alegre e festiva, meus pais sempre carinhosos e atenciosos. Muitas brincadeiras, muito bolinho de chuva, cheiro de asfalto molhado, cheiro de dama de noite….
A liberdade de poder brincar na rua, de pular amarelinha de brincar de esconde-esconde. Dificilmente meu filho terá as mesma lembranças, a realidade hoje é muito diferente e as vezes me assusta. Acredito que somos o espelho dos nossos pais. Tudo aquilo que aprendemos e vivenciados são absorvidos e com o passar do tempo vamos formando nossa personalidade. O tempo passa, vamos aprendendo mais coisas, amadurecendo… mas nossas raízes estarão sempre presentes. E eu tenho muito orgulho da criação que recebi dos meus pais. Dentro dos seus limites tenho certeza que eles nos deram o melhor. Por isso hoje sou muito apegada a meus pais e irmãos e felizmente nossa família me enche de orgulho sempre.

* Quais os valores que seus pais passaram a você?
Meu pai sempre trabalhou duro. Abriu mão de férias e de ter mais tempo livre com os filhos. Aos finais de semana se não estávamos na praia, íamos viajar. Sempre. Caíamos na estrada e fomos para todos os cantos do estado. Sempre tivemos uma vida confortável, mas sem luxo. Meu pai sempre disse que sua herança seria o estudo. Estudei sempre em escola particular, fiz duas faculdades e hoje reconheço o quanto ele ralou para que tudo isso acontecesse. E minha mãe também, nunca trabalhou fora, mas cuidar de três filhos e administrar uma casa não é mole não. O comprometimento deles com nossa educação e saúde foi impecável. Sempre soubemos dosar o que podíamos ter e fomos muito felizes com aquilo que recebíamos. Nunca levei uma bronca do meu pai, nunca vi tanta serenidade em uma pessoa. Ele é um amor!

* Conte qual era sua brincadeira predileta.
Brincava muito com meus irmãos em casa. Adorávamos fantasiar situações, como colocar um colchão na escada de casa e descer sentados nele como se estivéssemos esquiando em uma gigantesca montanha. Eu e minha irmã brincávamos de boneca com as roupas feitas pela minha avó, de playmobil com os móveis feitos pelo meu avô que era marceneiro (alias, os dois eram). Mas eu sempre gostei de brincadeiras de menino, sabe? Achava o máximo o kichute do meu irmão, empinar pipa, jogar bolinha de gude. Sempre fui arteira. Minha mãe diz que eu era uma pimentinha e quando eu reclamo das peripécias do meu filho e digo: mas quem este menino puxou? Ela ri e diz que eu era igualzinha…! hahaha

* E os sabores?
A família da minha mãe é toda Italiana, então a comilança sempre rolou solta! Minha avó morava em uma casa a poucos metros da nossa e lá cultivava ervas, frutas e muitas outras coisas. Adorava ficar na cozinha vendo minha vozinha cozinhar. Ficava esperando o dia do nhoque, ajudava a abrir a massa, enrolar e ia comendo as "bolinhas" cruas mesmo. Eu adorava! Foi com ela que aprendi a gostar de produtos naturais, de ter minha horta em casa. Já na família do meu pai, toda Portuguesa, os costumes eram outros. Nas férias de Julho minha avó sempre separava um dia para festejar a caráter. Os caldeirões de caldo verde eram enormes, alheira (uma linguiça típica), e sardinha na brasa. Posso sentir o cheiro dela pelo ar…. fogueira no quintal e para terminar a noite, batata assada na brasa. Nossa, morro de saudades!

* Houve pessoas importantes, qual foram?
Sempre fomos muito ligados à família. Meus pais exerceram um importante papel na minha infância, assim como meus irmãos… mas meus tios e avós não posso esquecer jamais. Perdi minha avó paterna quando tinha 15 anos. Foi um choque, ela era uma mulher incrível e teve um súbito derrame abdominal. Ela era costureira, e como só eu e minha irmã éramos as netas mulheres, ela tinha um carinho especial por nós. Dela herdei a paixão "craft”, ainda pequena ficava sentada ao lado de sua máquina de costura aprendendo a fazer pequenas coisas. Ela era uma mulher muito divertida e alegre. Me lembro dela sentada em uma cadeira enquanto eu fazia as unhas do seu pé, minha irmã fazia as unhas da mão e meus primos homens enrolavam "bigudinhos" no seu cabelo cinza ligeiramente roxo por causa da tintura. Meus avôs, eu perdi há pouco tempo, mas eles já estavam bem velhinhos. E minha vozinha, mãe da minha mãe, ainda está viva e com seus 90 anos parece uma bonequinha de porcelana.

* O que você guarda daquela época?
Guardo muita coisa boa na memória. Tenho sonhos constantes, lembro de cada detalhe e estou sempre revendo as fotografias feitas pelo meu pai com muita frequência. Foi uma época maravilhosa e fundamental para construir dentro de mim a mulher que me tornei hoje… e fico feliz ao me olhar no espelho, viu!






Fabi Martins tem dois blogs muito bacanas. Em um ela conta sobre seu cotidiano, sua paixão pela fotografia e pelo filhote Antônio. No outro ela mostra seu lado bem mulherzinha. Confira.

26 fevereiro 2010

Gente que faz

Vocação natural

Algumas pessoas já sabem desde muito cedo o que querem fazer da vida e escolha da profissão se torna algo natural. Priscila Resende é uma delas. Aqueles conflitos que todos adolescentes se deparam neste momento de qual profissão seguir, de manter alguma tradição ou simplesmente optar por algo rentável não fizeram parte da vida dela. Ela se arriscou numa profissão que era dominada pelo público masculino e provou que aquela ‘praia também era sua’. Neste bate-papo, a engenheira química nos conta um pouco sobre essa profissão.

* Então você é uma engenheira química. O que faz uma mulher numa área voltada ao público masculino?
Na escola, sempre gostei de química, matemática e física. Na época do vestibular, assisti a uns DVDs do Professor Wagner Horta, especialista em profissões e mercado de trabalho, e fiz uma lista dos cursos que eu mais tinha gostado. Busquei as melhores universidades que ofereciam esses cursos e prestei vestibular pra Engenharia de Materiais (em São Carlos), Engenharia de Alimentos (em Campinas) e Engenharia Química (em Niterói). Na minha cidade, Juiz de Fora, há uma excelente universidade, a UFJF, mas não oferecia nenhum desses cursos. As pessoas ficavam intrigadas quando eu dizia pra que cursos prestaria o vestibular. Achavam que eram profissões masculinas, mas isso não me assustava. Pelo contrário, eu queria provar que as mulheres eram tão boas quanto os homens com os números e isso só me dava mais ânimo! Passei no vestibular de Engenharia Química da UFF e pra minha surpresa, na turma havia ainda mais mulheres do que homens. Depois, vim a saber que a Engenharia Química não era um curso tão masculino como eu (e a maioria das pessoas) imaginava.

* Você já sentiu preconceito por ser uma mulher nesta área?
Na segunda metade do curso comecei a me inscrever em sites de várias empresas buscando uma oportunidade de estágio. Na mesma época, fui aprovada em quatro empresas e tinha que escolher uma. Não tive dúvida. Escolhi a mais ousada, a que poderia me oferecer maiores desafios. Fui a primeira estagiária mulher da gerência de operações de uma refinaria de petróleo. Eu vivia de uniforme, capacete e bota pela área industrial entre mais de 100 operadores e 2 engenheiros. No início, sentia que me olhavam com desconfiança, ceticismo. Senti algumas vezes um certo preconceito, sim. Mas não esmoreci. Com o tempo, mostrei o meu trabalho e passaram a me respeitar. Depois de quase dois anos de estágio, me formei e fui contratada na empresa.

* E nos tempos da faculdade, como era a convivência?
Na escola sempre tirava boas notas e nunca tive problemas pra estudar. No primeiro período da faculdade, das 6 matérias, que havia me inscrito, passei em 3, reprovei em 1 e tranquei 2 (pois estava na iminência de reprovar). Tive uma crise de identidade nesse primeiro ano. Eu me achava uma fraude! Me perguntava onde estava aquela inteligência que todos admiravam quando eu estava em Juiz de Fora. Até o quarto período tive muita dificuldade. Ficava em prova final, tive que trancar algumas matérias. Mas depois fui entrando no ritmo, recuperando o tempo perdido. O curso tinha duração de 10 períodos e eu terminei a faculdade em 11. Mas não fiquei muito decepcionada. Afinal, dos 40 que entraram comigo, apenas 4 conseguiram a façanha de terminar a faculdade no tempo certo.

* Explique pra gente o que faz uma engenheira química?
Um engenheiro pode atuar em uma ampla faixa de setores tais como indústrias químicas, petroquímicas e bioquímicas, como engenheiro de acompanhamento de processo; empresas de projetos, calculando torres, bombas, vasos; setor de vendas; administração de indústrias; pesquisa básica ou aplicada voltada ao desenvolvimento de novos produtos e/ou processos; além das áreas de ensino técnico e superior.

* Quais são as atividades que você desenvolve?
Eu trabalho como engenheira de processo em uma empresa de petróleo, mais precisamente com otimização de processos. Ou seja, busco alternativas que possibilitem aumentar a produtividade das refinarias com o menor custo de produção. Já trabalhei com planejamento e programação de produção de refinaria e em projeto de unidades de destilação, coqueamento retardado e craqueamento catalítico.

Priscila e sua linda família





* Além de profissional, você é mãe de duas crianças. Como conciliar tudo?
Ser mãe do Gui (3 anos) e da Duda (8 meses), sem dúvida é o meu melhor e mais prazeroso trabalho. Quando ainda estava na faculdade, dizia que não queria filhos, pois queria focar na minha carreira. O Gui chegou mudando minha vida, meu coração e minha cabeça. Eu gosto do meu trabalho, claro. Tenho orgulho do que faço. Mas os meus filhos são infinitamente mais importantes. Não hesito nem um segundo em jogar tudo pro alto quando eles precisam de mim. O meu trabalho é apenas o instrumento que uso para proporcionar uma vida confortável pra mim e pra minha família. Ela é minha prioridade. Eu acordo cedo, deixo o Gui na escola e a Duda com a babá e chego em casa tarde pra curti-los com o marido. A rotina é cansativa. Gostaria de poder me dedicar apenas meio período à minha profissão, mas atualmente, isso é impossível. Por enquanto, tento compensar nos finais de semana o tempo que fico longe deles. Não levo trabalho pra casa de jeito nenhum!

Priscila escreve no seu blog um assunto sério (a cardiopatia da sua filha) de uma maneira leve e gostosa, mesclando com suas emoções e peripécias de seu filho. Gostou? Confira clicando aqui.

19 fevereiro 2010

Gente que faz


Por amor aos livros

Luci Cardinelli é uma das surpresas mais agradáveis que encontrei na blogosfera, pelo seu jeito, simplicidade e sabedoria para enfrentar as coisas da vida. E entre visitas e comentários, descobri o quanto ela gosta de livros, aí foi identificação total. Pedi que ela contasse sobre os seus livros prediletos e ela topou de bom grado.

*Conta pra gente como começou sua paixão pelos livros.
Minha mãe estudou até o dia que meu avô disse que mulher era para casar e não estudar e ela teve que parar. Os livros sempre foram sua grande companhia e sua janela para o mundo. Não consigo me lembrar de um só dia que ela não estivesse lendo algo. Era através deles que ela conhecia os lugares, pessoas, histórias e estórias. Ela passou isso para meu irmão, para mim e para muita gente que comentam a importância que isso teve em suas vidas. Antes mesmo da minha cunhada engravidar ela já havia comprado a coleção de Monteiro Lobato para a neta. Foi entre os 11 e 13 anos que li O Pequeno Príncipe, O Menino do Dedo Verde, Poliana Menina e Poliana Moça, além de clássicos como A Moreninha e Olhai os Lírios do Campo. Aos 16 anos descobri meus autores preferidos: Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e José Mauro de Vasconcelos, que considero o autor mais injustiçado desse país.

* Como você escolhe um livro?
Eu não sou aquela leitora compulsiva, que lê de tudo. Também não sou daquela que se pegar um livro e sentir dificuldade em lê-lo, vê isso como um desafio e insiste até chegar ao final como uma questão de honra. Tenho que gostar de algo, tenho que me sentir atraída. Um exemplo foi outro dia numa livraria onde vi um livro com um título que eu jamais compraria: “Fome” de um autor que eu não conhecia, mas estava escrito na capa que havia sido traduzido por Carlos Drummond de Andrade e isso bastou para que eu o comprasse. Pensei: “Drummond não pararia para traduzir um livro ruim”. 
Há escritores consagrados que eu nunca consegui ler, como Jorge Amado, por exemplo. Por diversas vezes tentei mas não consegui passar das primeiras páginas. Não quero dizer que o que ele escreveu não seja bom, longe de mim, apenas que sua literatura não me prende. Como o nosso tempo não é suficiente para ler tudo que gostaríamos, escolho a dedo o que vou ler para tirar o máximo. Ler para mim é algo que tem que me dar prazer. Adoro entrar na livraria e ficar flertando com os livros até encontrar aquele que sinto um comichão e curiosidade. Meu parque de diversões é a Bienal do Livro, geralmente vou a falência.

* Qual o estilo que mais lhe agrada?
O que mais gosto de ler é sobre vida, suas experiências e emoções, pois acho que isso nos enriquece como pessoa. A vida é muito curta para vivermos tudo, então através dos livros você pode conhecer muita coisa que jamais viverá, mas que lhe ensina e ajuda a viver melhor sua vida.

* Na sua lista, quais são os cinco livros que todos devem ler?
Outro dia eu parei diante da minha estante e pensei: Se eu tivesse que ir para um lugar pelo resto da vida e só pudesse levar 5 livros, quais eu levaria? Não foi fácil e 5 virou 7.
- Água Viva – Clarice Lispector (o primeiro que li aos 16 anos)
- Fernão Capelo Gaivota – Richard Bach (minha primeira lição de vida, lido também aos 16 anos)
- Nova Reunião – Carlos Drummond de Andrade (23 livros de poemas)
- O Pobre de Deus – Nikos Kazantzakis (vida de São Francisco de Assis)
- As Confissões do Frei Abóbora – José Mauro de Vasconcelos (um dos grandes contadores de histórias – também tenho grande paixão por Rosinha, Minha Canoa)
- As Grandes Lições da Vida – Hal Urban (embora considerado de autoajuda, não acho que seja assim simplesmente, mas se é assim, é o melhor de todos e sempre estou recorrendo a ele)
- Bíblia – Creio que até mesmo quem não crê em Deus deveria lê-la, ela tem todas as respostas e lições que precisamos para viver melhor.


* E quais são os melhores?
Não sou de ler livros apenas por estarem na lista dos mais vendidos ou porque todo mundo está lendo, como já disse ele tem que me atrair. Assim como acontece com os filmes, não ligo para críticas, gosto de experimentar. Os últimos que li que mais gostei e recomendo são:
- A Distância Entre Nós – Thrity Umrigar
- Doidas e Santas – Martha Medeiros
- A Montanha e o Rio – Da Chen
- A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak
- O Silêncio dos Amantes – Lya Luft
- Comer, Rezar, Amar – Elizabeth Gilbert
- A Cidade do Sol – Khaled Hosseini
- A Última Grande Lição – Mitch Albom

* O que você está lendo?
Atualmente estou lendo “Clarice“ de Benjamin Moser. Biografia de Clarice Lispector, uma mulher tão misteriosa. Nunca vi uma Biografia tão rica e bem escrita.

Luci tem dois ótimos blogs, em um deles ela faz divagações da Vida. Noutro ela demonstra toda sua criatividade. Passem por lá.   

12 fevereiro 2010

Gente que faz

Compartilhando um sonho

Dizem os psicólogos que quando estamos em grupo nos sentimos mais poderosos. E a minha convidada de hoje provou que os amigos são mesmo a melhor companhia do mundo quando é para compartilhar um grande sonho. Fernanda Scaramucci, a Nanda topou dividir conosco essa experiência e aqui conta detalhes da sua viagem para o exterior, da emoção de conhecer a Disney e como planejou tudo.

* Para você, como é viajar com amigos?
Meus amigos, companheiros de viagens, são como eu, sem frescuras e curtem qualquer destino. Viajar é umas das melhores experiências que podemos ter, com companhias que topam qualquer parada é melhor ainda. 2009 foi o meu ano de descoberta, viajei muito e para diversos lugares, como Angra dos Reis, Campos do Jordão, Salvador, Brasília e para o exterior...

A entrada do sonho...virando realidade

* Conte para gente como foi o planejamento da sua primeira viagem ao exterior.
Quando eu fiz 15 anos meu pai me propôs: "Você quer uma festa ou uma viagem pra Disney?". Eu, como uma louca alucinada pelo Mickey, claro que escolhi a viagem. Mas eu estudava e logo comecei a trabalhar. Emendava um emprego no outro, sempre sem ter férias e minha viagem sempre era adiada. Em Novembro de 2008 completei um ano no escritório que eu trabalho e resolvi que estava na hora de receber meu presente de 15 anos, mesmo já estando com 23! rs. Estabeleci que a viagem aconteceria em Abril de 2009. Comecei a ir atrás da documentação, pesquisar passagens aéreas, hotéis, carro, li muito sobre a cidade de Orlando e sobre os parques. Conversei muito com pessoas que já tinham viajado pra lá e conheci a Disney em detalhes antes mesmo de chegar. Meu irmão mais velho, o Wagner, resolveu ir comigo. Fomos ao consulado e, pra minha felicidade ser completa, nosso visto foi cedido. Estava tudo caminhando bem para o sonho se tornar realidade. Reservei tudo, pensei em cada detalhe e no dia 01 de Abril de 2009 embarcamos rumo à concretização do meu grande Sonho!

Conhecendo o ídolo

* Conhecer a Disney é o sonho de muitas crianças. Como foi fazer essa viagem já adulta?
Eu sou uma eterna criança e em nenhum momento me preocupei em estar "adulta demais" para um destino infantil. Eu sabia que aproveitaria cada minuto e aproveitei! Na Disney não existe idade. Você põe seus pezinhos dentro do parque e se rende ao encanto daquele lugar. Lugar este onde a tristeza não tem espaço e tudo é colorido, mágico e impecável. Impossível não ficar admirada com os shows que te remetem aos clássicos filmes Disney. Acho que os pré-adolescentes e os adultos curtem os parques mais do que as crianças. Portando, indico esperar que os pimpolhos cresçam um pouco antes de levá-los, mesmo porque a rotina lá é cansativa e os menores podem não aproveitar tudo.

* Deixe algumas dicas para quem quiser embarcar nessa.
Janeiro e Julho são os meses mais cheios nos parques. Abril também não é uma boa opção, pois os americanos têm a Spring Break (como se fosse nossa “semana do saco cheio” na faculdade) e isso também faz com que os parques fiquem mais povoados, porém eu consegui conhecer tudo e curtir todas as atrações. Dizem que Outubro é ótimo, espero conferir numa próxima oportunidade. Os hotéis fora do complexo Disney são muito mais baratos e a maioria tem vans que nos levam para todos os parques. É uma excelente opção para economizar. Quem vai para Orlando, sai no lucro se juntar uma graninha para fazer compras nas Outlets que tem na cidade, os preços são realmente provocantes e compensa trazer roupas, perfumes, acessórios e afins. Ahhh, e uma dica que eu aproveitei muito foi não comprar lembrancinhas, ursinhos nos parques, pois os preços são mais altos. Nos mercados (WALMART) tem produtos de qualidade boa e mais baratos.

Olha essa montanha russa!!!

* A viagem foi tão boa que decidiram dar uma esticada?
Minha amiga Claudia, que também iria comigo pra Disney, teve o visto americano negado e com isso resolveu viajar para o Canadá. Com isso resolvi que minha primeira viagem internacional não seria somente para a Disney e sim, por parte da América do Norte. O Wagner voltou ao Brasil depois de 10 dias em Orlando e eu continuei. Fui para Washington, DC na casa da host family da Débora, prima da Claudia que eu conhecia só virtualmente. Fiquei 3 dias por lá e a Deby me levou para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. AMEI!
Depois passei 5 dias em Nova York na casa dos primos da minha chefe, Deliane. Eles me receberam super bem, porém não puderam me acompanhar nos passeios pela cidade, pois era uma semana de trabalho normal. Então eu andava sozinha e também conheci os principais lugares de NYC.
Ai então segui para o Canadá, onde encontrei a Clau. Em Toronto. Andávamos pra cima e pra baixo conhecendo cada canto da grande cidade.

Essa não podia faltar!

Depois de 5 dias partimos para Ottawa, a linda capital e depois seguimos para Montreal, onde andamos muito também e assistimos ao lindo espetáculo OVO do Cirque Du Soleil. Foram 30 dias passeando por cidades complemente desconhecidas por mim. Uma experiência que me fez refletir e mudou alguns dos meus conceitos. Hoje eu sinto sede de conhecer lugares diferentes, de viver culturas diferentes, de ter fotos e fatos para contar. Descobri que eu sei andar com minhas próprias pernas e que minha maturidade permite que eu aproveite a vida como eu quiser, andando, conhecendo e curtindo. Aprendi que minha felicidade e minha realização dependem somente de mim e eu sou capaz de me fazer feliz!
Uma das lições que eu aprendi é que existem acontecimentos que as fotos e filmagens não registram exatamente o que os olhos podem registrar. Por mais que eu explique é indescritível a sensação de estar lá! Ah, também aprendi que sol não significa "calor" e que pombo e gente doida são universal, rs.

Espero que eu tenha conseguido passar um pouco da minha experiência de primeira viagem internacional. E quem gostou e quiser saber mais, tem detalhes no meu blog pessoal, aqui.

05 fevereiro 2010

Gente que faz

Coisa de fé

Religião é mesmo uma coisa que não se discute, mas quando falamos de fé é realmente uma unanimidade. Convidei Raquel Cecília, uma amiga blogueira que chegou de mansinho e descobrimos várias afinidades entre nós, uma delas foi a religião. Convidei essa querida amiga para contar um pouquinho daquilo que a move.

Para você, fé é sinônimo de religião?
Absolutamente não. A fé é a esperança alimentada pela certeza que vem do nosso âmago, não sabemos nem podemos explicar de onde ou porque, mas ela está lá. Por exemplo, quando um otimista se recusa a acreditar que as coisas não vão melhorar, ali ele está agindo com sua fé.
A minha vida toda não me converti a religião nenhuma, mas eu tinha uma fé. Por ter frequentado a religião evangélica quando criança e parte da adolescência, me identificava com ela mas não o suficiente para ser batizada. Eu acreditava (acredito) em Deus, e também em seu filho como salvador, mas alguma coisa naquela religião me incomodava: a falta de crença na vida após a morte.
Minha mãe já era do Candomblé, pois ela passou a acreditar e cultuar essa religião mais ou menos quando eu nasci, e como eu sabia da crença dela e também do irmão dela que era do espiritismo de Alan Kardec, para mim parecia muito claro que havia sim vida espiritual após a morte. Então, depois de passar anos visitando igrejas, centros espíritas, templo messiânico e etc. me encontrei de vez na Umbanda, e lá estabeleci minha fé.
Então, eu mais do que ninguém posso dizer que para alimentar a fé não é preciso uma religião, isso é só uma questão de escolha.

Qual é sua religião e em que ela consiste?
A religião que sigo é a Umbanda com fundamentos no Candomblé. É um assunto bem extenso a diferença entre um e outro, e pode não ser do interesse de todos.
Ao meu ver a Umbanda, seu fundamento e propósito, consiste em duas palavras: caridade pura.
É uma religião que prega a caridade aos desconhecidos tanto quanto aos conhecidos, que não devemos esperar por recompensas ou agradecimentos, apenas trabalhar em prol do bem do próximo para nosso crescimento espiritual e para o crescimento alheio.
Ao contrário do preconceito de muitas pessoas, a Umbanda não pratica e não aceita a prática do mal - vamos dizer assim - o que quer dizer, que uma pessoa que chegar a um centro espírita Umbanda pedindo para fazer maldades ou prejudicar outras pessoas, ela não receberá essa ajuda, mas sim o contrário. Essa pessoa que carrega o rancor e raiva será ajudada para deixar de carregar tais sentimentos e de desejar coisas negativas para outros.
A Umbanda é assim, é a bondade, a caridade, a irmandade, o amor, a paz... É axé, que resume todas essas coisa.  Poderia dizer que a Umbanda é luz.

Em qual momento de sua vida, a fé foi o fator mais importante?
É difícil dizer um momento, pois a fé sempre foi uma constante em minha vida, fosse em qualquer religião que eu estivesse envolvida no momento (como eu disse, frequentei várias religiões até me encontrar).
 Acho que posso dizer que foi há cerca de 5 anos atrás quando passei por um rompimento muito doloroso, e como pode acontecer com qualquer um, cheguei a pensar em tirar minha própria vida. Acredito que estava entrando num estado de depressão para o qual precisava até de ajuda psiquiátrica, mas não tinha quem me ajudasse nessa época, porque minha família considerava "essa história de depressão uma frescura e falta de palmadas". Nesse momento a fé me levantou, com a ajuda de anjos em forma de gente que foram meus amigos leais e me mostraram como a vida era muito mais importante do que amores e desamores. Foi com a fé em Deus, no futuro e em mim que consegui me reerguer, me amar novamente, e me encontrar.
Como diz uma passagem na bíblia "a fé move montanhas", eu diria que a fé também salva vidas.

Para aqueles que não têm fé, deixe um recado.
Mesmo para afirmar que não se tem fé, existe a fé na falta dela. Tudo em que acreditamos e defendemos é fé. A fé é a certeza que carregamos, por isso não acredito que seja possível existir um ser humano sem fé, o que pode haver é um ser humano sem crenças e religião.
Para essa pessoas não tenho o direito de dizer nada além de: por que não dar uma chance antes de tomar sua decisão? Conheça, explore, vivencie e experimente. Eu o fiz, e me encontrei, pode acontecer também com você.

Raquel tem um blog super gostoso de ler que traz assuntos pra lá de especiais. Quer conferir? Acesse: http://simplesoriginal-quel.blogspot.com/

* Essa entrevista é em comemoração ao dia de Iemanjá que comemoramos em 02/fevereiro.
* Essa entrevista é totalmente imparcial quanto a religião dos leitores.

29 janeiro 2010

Gente que faz

Filho do coração

Eles preenchem espaços vazios e ocupam cada vez mais um espaço maior no seio das famílias. Os animais de estimação fazem companhia, preenche o vazio da solidão e aguça em você a sensibilidade e a solidariedade. As crianças aprendem com ele o respeito, a responsabilidade perante um outro ser e limites a serem mantidos, até os enfermos se beneficiam com a presença de um animal. Convidei minha amiga Nade Travassos para contar para gente essa relação de amor.


Esse é o Scott

Então você tem um animal de estimação. Conte para gente como é criar um.

É a melhor experiência que alguém pode ter, para alguém que adora bichinhos. Tem que ter muita paciência e dedicação, pois eles pensam que são gente e podem nos dominar... (risos) O Scott não gosta de ficar sozinho, gosta de atenção e muito carinho. E você pode ter a certeza de que, com ele por perto, nunca estará só. Já me peguei várias vezes conversando com o Scott e, pode acreditar, ele entende. É bom demais ter um!


E os cuidados para ter um animal em casa?

Confesso que, se morasse em apartamento, jamais teria um cachorro, pois não conseguiria sair de casa para trabalhar e ter que deixá-lo preso por tanto tempo. Um cachorro é companheiro, fiel, mas é um animal que necessita de espaço para ter um crescimento saudável. Aqui em casa, tenho a possibilidade de sair e deixar a porta da área aberta, pois não corro riscos, além do que permite o livre acesso dele para fazer o que quer. Parece uma criança, tem vários brinquedos e ganha guloseimas toda semana. Guloseimas específicas para cachorro, pois não podemos esquecer que é um bichinho e tem que ser cuidado como, mas com bastante carinho, atenção e amor. E, claro, tem o cantinho dele de descanso com uma caminha bem fofinha, objeto de muito ciúme. Nos finais de semana, vai pra Pet ter aquele tratamento e está presente nos nossos programas (meu e de marido).


Por que escolheu um cão?

O Scott, apesar de ser de raça (ele é um Cocker Spaniel), foi adotado. Infelizmente, tem muita gente que acha que é fácil criar um animal e quando se depara com a primeira dificuldade, tende a maltratar ou abandonar. No ano passado, conversando com um colega de trabalho do meu emprego anterior, comentei que adorava cachorro e que tinha muita vontade de criar um, mas que não tinha como criar ainda. Essa conversa foi no começo do ano, quando estava construindo a minha casa e ainda morava num apartamento. Passado alguns meses, este colega comentou que uma vizinha sua estava dando um cachorrinho e que ela havia oferecido a ele por saber que gostava de animais. Ele respondeu a ela que não podia, pois sua casa não tinha tanto espaço, mas que conhecia uma pessoa de que gostava e que possivelmente poderia ficar com o bichinho. Quando ele me perguntou se eu queria, não hesitei em afirmar que sim, pois já estava morando na minha casa, mesmo sem saber se era macho ou fêmea, filhote ou velhinho, são ou doente. Eu queria! No final de semana seguinte, eu e marido fomos buscá-lo e quando o vimos, foi amor à primeira vista. E já chegou em casa dominando tudo!


Você acha que um cão substitui um filho ou alguém da família?

Para algumas pessoas criar um cão ameniza a dor da perda ou a solidão, mas substituir, acho que não. Depende muito da situação, da história de cada um. No meu caso, o Scott está sendo um treino, pois sou louca para ser mãe. Ele alterou toda uma dinâmica que eu e meu marido tínhamos e um filho altera muito mais.

O que seu cão representa para você?

É a alegria de casa, o amor sincero, a fidelidade em evidência... Não me imagino sem ele.


Nade tem dois blogs super delicado que valem muito a pena conhecer. Bora lá?! Acesse: http://nadejane.blogspot.com e http://vidablogueira.blogspot.com