06 agosto 2009

Da série: Gente que faz

MÃE MARAVILHA

Nem sempre a notícia de uma gravidez é bem-vinda. Não pelo fato de ter mais um integrante na sua vida, mas sim pelo momento que está vivendo. Fabi Carvalhos conta para gente como foi ficar grávida num momento tão difícil: seu relacionamento era bem recente e estava prestes a ficar desempregada. Mas a pequena Sophia fez a mamãe mudar os planos. Acompanhe como ela enfrentou cada barreira.

* Como foi descobrir-se grávida?
Um susto! Mas quem não teria também na minha situação. Namorava André há 10 meses apenas, ainda estávamos naquela fase de nos conhecermos, de namorico, sem grandes compromissos. Foi uma única escapulida, num intervalo que estava trocando de anticoncepcional e tchum...aconteceu. Ficamos meio desnorteados, até porque, apesar de André trabalhar e ter uma vida um pouco estabilizada, meu contrato de trabalho seria encerrado. É! Uma loucura! Trabalhava na ANVISA, ganhava bem, tinha um bom padrão de vida, e com a entrada do novo presidente Lula, os contratados temporários que entraram para as agências legalmente, ou seja, passaram por processo seletivo como em qualquer concurso, se viram chamados de apadrinhados, como se não tivéssemos conhecimento nem preparo para exercer os cargos que exercíamos. Um absurdo! Tivemos que pagar pelo marketing político. Mas bem, sem querer entrar no mérito da questão, descobri, infelizmente da pior maneira, que nossos contratos não tinham nenhum direito trabalhista assegurado. Numa das cláusulas do contrato era citada uma legislação criada pelo Itamar Franco que dizia que teríamos que contribuir para o INSS, mas que não teríamos direito aos benefícios, pode? Ou seja, pagamos, mas não poderíamos usufruir. Fiquei a ver navios nos meus direitos enquanto grávida. Não tive direito nem ao auxílio desemprego. Mas bem, André tinha emprego e é um homem bom e super especial, e como dizem os mais velhos, um menino ajuizado. Me amparou e me apoiou num momento bem delicado da minha vida. Sempre trabalhei, depender de alguém, principalmente um homem, é bem estranho e nem um pouco confortável. E ainda tive que ouvir que tínhamos agido como adolescentes! Ai, fiquei para morrer! Como assim? Uma mulher de 32 anos, trabalhadora, até então independente, se vê engolindo um sapo destes! Inacreditável! Minha vontade era responder, mas como? Perderia o emprego em 3 meses, e grávida as chances de conseguir outro eram quase nulas. Respirei fundo e deixei passar. Aliás, diga-se de passagem, sem minha mãe, minha família e André, não sei se teria conseguido aguentar o tranco. Eles me apoiaram desde o primeiro instante. Minha mãe, como sempre, super carinhosa e amorosa, acolheu-nos durante toda a gravidez e até Sophia completar 9 meses, quando conseguimos nos mudar. Sem ela, talvez tivéssemos passado por uma situação bem mais difícil. Nem preciso dizer como foi uma gravidez tensa, né? A pressão foi tanta, que ainda trabalhando, desenvolvi uma lombalgia que me deixou quase 1 mês de cama. Não podia tomar medicação para não prejudicar o bebê, nem fazer fisioterapia, então o que me salvou foi a acupuntura. Aliás recomendo para todos que tiverem problemas de coluna.

* E quais foram as mudanças da sua vida?
Bem, não sendo suficiente toda a situação de tensão no trabalho e a lombalgia, descobri que tenho um útero bicorno. Vou explicar para quem não sabe o que é. Meu útero é dividido, por uma membrana, como se fossem dois úteros. Em alguns casos até são. Mas no meu, graças a Deus, os lados são de tamanhos diferentes, mas estão unidos, e a membrana não vai até o canal uterino, ou seja, não fecha os dois lados, tenho uma passagem, pequena, mas tenho. Foi por ela que Sophia passou do lado menor para o maior e conseguiu se desenvolver. Menina esperta! Mas não podia fazer o exame para ver qual era a formação do meu útero, poderia comprometer o feto, então já viram, né? Tive a gravidez intitulada ‘de risco’ e passei os 9 meses com acompanhamento médico de 10 em 10 dias, pois corria o risco do útero romper, de abortar ou ter um parto prematuro. Isto se refletiu na minha rotina de vida, pois tinha que ficar de "molho" em casa a maior parte do tempo. Saía pouquíssimo, e quando andava muito sentia fortes dores na coluna e abaixo da barriga. Não inchei, mas engordei 20 quilos. Meu médico quase surtou! Não poderia engordar muito, mas foi minha válvula de escape. O paladar me dá imenso prazer, e diante de tantas mudanças e pressões o jeito foi comer! Não tive enjoos, então não tinha o menor problema com comida. Como tive que ficar em casa, aproveitei para criar as lembrancinhas de nascimento e a decoração do quarto. Fui bem estimulada pela economia que tínhamos que fazer, e isso, depois, se mostrou bem mais positivo do que eu poderia imaginar. Sempre fui adepta do "faça você mesmo". Me metia a fazer o que sabia e o que não sabia. Pesquisava, desmontava para ver como tinha sido feito, curiosa e abusada! Meu pai é engenheiro eletricista, então adorava ficar observando como ele consertava as coisas para fazer sozinha depois. Ele enlouquecia quando pegava as ferramentas dele, mas nem assim desistia. Ainda pequena, fiz bijuterias paras as amigas, não faltava a nenhuma aula de educação artística, e adorava o Daniel Azulay. Não tinha muita habilidade no corte e no desenho, mas nem assim desanimava. Não saber desenhar ainda é um trauma para mim, pois todos lá em casa desenham, e muito bem. Este dom não me foi dado, e coincidência ou não, sou a única que seguiu para as artes. Só Freud explica... Pois bem, fazendo as lembrancinhas, e outras coisas mais, revivi meu prazer no artesanato, no trabalho manual. Então fiquei com esta ideia germinando na cabeça.

* Você conta com um pai presente?
Super presente. André se mostrou uma grata surpresa como pai. Já na maternidade ele passou a noite comigo e me ajudou nas primeiras trocas de fralda e de roupas. Na amamentação é que não tinha jeito, era só comigo mesmo. Depois que nos mudamos, e Sophia largou o peito e começou a mamar na mamadeira, as madrugadas eram dele com ela. Um momento de intimidade de que ele gostou bastante. Hoje em dia ele fica com ela enquanto crio meus trabalhinhos e na parte da manhãzinha, pois ele acorda bem cedo então pode esperar que ela acorde para dar o café da manhã e ficar com ela até a hora de sair para o trabalho. Aproveito para dormir mais umas horinhas, adoro uma cama! Estas horas que eles passam juntos foram muito importantes para criar um laço mais forte. Sophia vira e mexe está chamando o pai, eles têm uma relação muito gostosa. Brincam, implicam um com o outro, e ela se aproveita o quanto pode deste paizão. Acabo sendo eu a dar as ordens e ficar com fama de má.

* E a sua vida profissional como ficou?
Depois da gravidez não quis mais voltar a trabalhar com Nutrição. Me decepcionei um pouco com a realidade da profissão, que é super mal remunerada. No governo fiquei traumatizada com o que vi e vivi. Não é só a burocracia e a corrupção que emperram, não. A estabilidade cria um estado de estagnação e acomodação impressionantes. Sou muito comprometida com o que faço, e me incomodava muito certas atitudes. Então, revendo minha trajetória profissional e minhas afinidades e gostos, cheguei a conclusão que talvez me encontre e me realize com um trabalho mais sensorial, que envolva o visual e o manual. Estou adorando criar convites e lembrancinhas, sempre me encantei com edição e manipulação de imagens. No ano passado fiz um curso de Webdesigner e outro de fotografia para poder me aproximar mais do que só apreciava. Tenho aprendido muito observando o trabalho de outros profissionais e lendo sobre conceitos básicos de design. Ainda não consegui a independência financeira que tanto almejo, mas já tenho dado meus passinhos. Sou persistente, acredito no meu potencial e estou bem empolgada. Acho que esta mistura é muito boa, e pode render bons frutos. Agora só me resta aprender a divulgar melhor meus trabalhos, vendê-los, promovê-los. Este é meu ponto fraco. Nunca fui muito boa em vendas. Mas estou otimista, alguns amigos têm dado bons toques, e venho aprendendo muito, em várias vertentes. E o melhor, tenho tido o apoio do maridão e de muitos amigos, antigos e novos, que venho fazendo desde a criação do blog.

* Para você ser mãe é...
Uma lição muito gostosa de vida. Tenho que reconhecer que não tenho muito jeito para brincar com Sophia, mas me dá um tremendo prazer acompanhar seu desenvolvimento, ver suas conquistas, poder colaborar para enriquecer seu crescimento como ser humano. Ainda tenho muito que aprender e a Sophia tem contribuído muito com isso. Cada dia é uma nova descoberta, para mim e para ela. Uma delícia! Fiquei muito assustada no início, mas agora as coisas estão se ajeitando, tomando rumo. Tudo bem devagar, mas no tempo certo. Sempre fui muito ansiosa e impulsiva, ser mãe me ajudou a acalmar, a rever alguns pontos de vista, a ser mais prática, porém atenciosa, sociável e amorosa. Pensava muito em mim mesma, era bem egoísta. Agora olho para as pessoas e vejo seres humanos como eu, sujeito a falhas, então também me tornei menos crítica e arrogante. Estou mais humilde e compreensiva. Em suma, estou-me tornando um ser humano melhor, acredito. E graças à Sophia, ao meu anjo da guarda e ao grande amor da minha vida, André! Agradeço à Deus todos os dias por ter-me presenteado com eles, e hoje consigo enxergar tudo o que eu passei como um grande aprendizado e oportunidades de crescimento. Como dizem, Deus escreve certo por linhas tortas! Fui testemunha disso.

Fabi tem um blog ótimo que mostra todas as habilidades que tem. Confira.

16 comentários:

Ana Carolina Peixoto disse...

Rosi, de vez enquando venho aqui e dou um espiada. Mas até agora, eu nunca tinha escrito um comentário. Sou amiga da Lucia, da Beta e da Fabi. Sou amiga da Fabi desde 2000. Nossa, Fabi são 9 anos! Já a Lucia e a Beta são amigas mais recentes. A Lucia é "amiga de barriga "de uma amigona minha, a Tina. Adorei a sua iniciativa de escrever sobre a Fabi. Além dela ser super talentosa com o que faz, ela é uma super mãe sim. O texto está uma delícia de ler e foi ótimo relembrar tudo que vem acontecendo na vida dela. Continue postanto.
Bjs,
Carol

Fabiana Correia disse...

Rosi, gosto muito da Fabi, e adorei a entrevista dela. Não sabia que tinha passado por tantas coisas.
--

Fabi, Parabéns pelas lindas palavras, foi bem legal te conhecer um pouco mais.

Bjs

Fla disse...

Rosi acertou como sempre na escolha da entrevistada.

Que entrevista gostosa de ler e que aprendizado.

Fabi, sem dúvida alguma o que você passou não deve ter sido fácil, mas a recompensa foi a melhor possível não é mesmo? Parabéns por tudo que superou, pelo amor, pela filha e pelo seu trabalho.

Beijos,
Fla

Cláudia Ramalho disse...

Rosi,
Parabéns pela entrevista.

Gostei de conhecer um pouco mais da Fabiana e ver que ela é uma mulher de fibra, que não desiste diante das dificuldades da vida!

Fabi Carvalhos disse...

Meninas,
Obrigada pelos comentários carinhos. São eles que me motivam a continuar neste novo caminho.

Rosi,
Adorei a introdução, obrigada, amiga! Ter sido convidada para falar no seu mundinho particular foi uma honra e me deixou muito feliz.

Beijão em todas!
Fabi.

Lucia Laureano disse...

Rosi e Fabi,

A entrevista ficou fantástica!

Parabéns meninas!

beijos,

Verônica Cobas disse...

Rosi,

A Fabi foi uma das primeiras pessoas a escrever e-mail para o Criative-se, pedindo ajuda para fazer de forma mais profissional o que ela já fazia com alma amadora: queria trabalhar mais com o scra, saber sobre impressão, qual o o melhor papel, como montar o blog...Enfim, perguntas que nós do Criative-se, especialmente as designers que participam do blog, tentamos responder da forma mais objetiva possível. Lembro dos primeiros e-mails que respondi a Fabi. Surpreendentemente para mim, em pouco tempo o incrivel talento natural da Fabi fez-se verdade através de seus projetos e trabalhos, muito mais perto do profissional do que muito profissional que eu conheço. Enfim, adorei lê-la por aqui porque a vejo sempre como um diamante lapidado ao saber do que ouve, aprende e transforma. Beijos prás duas. Vê

Cláudia Ramalho disse...

òtimo final de semana pra vc também! Bjks

Beta Bernardo disse...

Rosi, que máximo a sua escolha!
Fabi promete (e já é) ser uma revelação na blogosfera!
Multifacetada e carismática vai conquistar seu espaço.
A história de vida eu não conhecia e adorei ler!!
Entrevista massa!
Parabéns pela iniciativa do espaço.
Bjks, Beta

Fabi Carvalhos disse...

Lucia, Verônica e Beta,
Obrigada pelo constante apoio e carinho. Vocês sempre tão solícitas e estimuladoras! Muito obrigada!
Beijão, Fabi

Fabi Carvalhos disse...

Rosi,
Nem com minhas dicas vc se anima? Tenta novamente! Vou preparar outros tutos sobre personalização de blogs e photoshop, aposto que vai ficar craque! :)
Bjs, Fabi

Ana Carolina Peixoto disse...

Rosi,
Eu tb sempre espio o seu blog. Infelizmente, com as atribuições atuais, às vezes, leio, mas não consigo comentar. O tempo tá curto! Mas o mais importante e que dando um tempinho... eu leio. Então, vou continuar espiando!
A minha filhota é uma figura. Cd dia que passa me apaixono mais por ela.
Realmente, a internet, de um modo geral, aproxima as pessoas. A gente consegue rever amigos de anos, manter os atuais e fazer novas amizades. É muito bom tudo isso.
Muito legal a sua inicitiva de escrever sobre as suas amigas blogueiras. Estou doida para ler a entrevista com a Lucia.
Bom, espero que a gente continue se visitando.
Bjs,

Carol

Lidiane disse...

Oi, Meninas!!!!
Rosi, excelente escolha. A entrevista ficou muito interessante, e é sempre muito bom aprender um tantinho mais com as experiências dos outros. 

Lendo a primeira parte da entrevista, fiquei pensando sobre o que a Fabi relatou a respeito da opinião alheia do que aconteceu com ela e o esposo, então namorado. Como o povo gosta de julgar sem conhecer os pormenores das histórias dos outros, né? Aff!!!

Quanta coisa de uma vez só, né? Gravidez (de risco) de um homem que era namorado recente, somado a desemprego? Não me admira que tenha tido uma crise de lombalgia! O corpo respondeu a tanta pressão psicológica...

Que bom que você se surpreendeu muito positivamente com seu esposo, Fabi.  Um homem com cabeça boa e companheiro é bem raro...

Beijos nas duas bonitas!

Michelle Santos disse...

Menina...aquele livro e´ tudoooo!! Pode comprar...a sogrita vai amar!
Eu fiz o Feijão Tropeiro hj...foiii tudoooooooooo!bjs

Luci Cardinelli disse...

Rosi, que ótima entrevista! Eu gosto muito de ler sobre vida!

Fabi, muitas vezes vem um furacão na nossa vida e muda tudo. No primeiro momento nos deixa atormentadas, mas depois podemos ver quanta coisa boa esse furacão trouxe para nossa vida, e você nos dá um exemplo disso. Os que falaram abobrinhas a gente esquece. Ah mas maridão, mãe, pai, os amigos verdadeiros e a princezinha, isso é prá guardar do lado esquerdo do peito.

beijos e muitas alegrias!

Rafaela disse...

Oi Rosi!

Te "achei" através de um post que li no Bicha Femea, da Lidi e achei simplesmente o máximo essa entrevista com a Fabi.

Não conhecia nenhuma de vcs duas (Rosi e Fabi) ainda, mas lendo a estória dela, já me arrepiei toda, inclusive, pq tb sou nutricionista e sei muito bem o que ela fala!! rs.Infelizmente!

O texto foi muito bem escrito, uma delícia,daqueles que a gente vai se embalando pela estória e fica com pena quando acaba.

Parabens!

Acho interessante essas entrevistas que vcs fazem, pois ficamos conhecendo um pouquinho mais das meninas e vamos nos identificando com várias.

Beijos
Rafa