11 agosto 2009

O vestibular

Coloquei na cabeça que queria fazer faculdade. Em 1997 não existia essa oferta desenfreada de faculdades como há hoje e quem entrava era realmente selecionado. Minha mãe me apoiou incondicionalmente, afinal eu iria realizar um sonho dela. Aí começou a correria, eu tinha que estudar muito, tinha leitura obrigória, a inscrição dos vestibulares...

Meu sonho era ser fisioterapeuta, mas 'na minha época' o curso era integral e bem caro. Fui então para a área de comunicação, a opção era jornalismo. Não tive a oportunidade de fazer a prova como treineira. Também nem entendia bem como funcionava esse negócio. Hoje teria agido diferente, acho que vale a pena praticar antes da 'hora do vamo ver'.

Prestei FUVEST o maior vestilbular do país, sabia que por ter vindo de escola estadual as minhas chances eram mínimas, mas eu tinha que saber como funcionava. No dia marcado, munida de lápis, caneta, borracha e uma garrafa de água, fiu até o local da prova. Tocou o sinal, o fiscal trouxe o saco plástico lacrado com as provas, o monitor e distribuiu as tais folhas de papel. Aquele teste maldito regado a perguntas escabrosas, proporção de candidatos por vaga descomunal e, claro, toda a pressão psicológica. Pronto: a hora da verdade chegou. Estaria eu realmente preparada para esse exame? Naquele ano o curso de Jornalismo era o mais concorrido e apesar de conseguir uma boa colocação, não foi suficiente para garantir uma vaga.

Prestei em outras duas faculdades. Um dos vestibulares era integrado e portanto, de acordo com a sua colocação, você seria indicado para uma das faculdades participantes. Passei em Jornalismo para a Universidade Bras Cubas que fica na cidade de Mogi das Cruzes - 63km da capital, como eu uma estudante sem lenço e sem documento ia conseguir fazer o percurso ônibus+metrô+trem ida e volta todos os dias? Fora de cogitação.

Havia feito uma visita programada (aquelas comandadas por um guia) na Universidade São Judas Tadeu que fica na Zona Leste de Sampa, no Bairro da Mooca. Confesso que me identifiquei de imediato com o lugar. Era enorme, muita gente, eu queria estudar alí. E assim foi: passei quatro anos de minha vida naqueles prédios. Foram duas alegrias: uma quando entrei e outra quando saí. Não vou dizer que o ensino era fraco ou a estrutura falha. Fui aluna de professores excelentes, gente que dedicou a vida à carreira acadêmica e sabia muito sobre comunicação social. Mas minha turma era formada pelos filhinhos de papai e eu nunca me adaptei a esse grupo.

No meio do curso optei pela Publicidade, sem arrependimentos. Atuei na área por quase oito anos e tive alegrias e tristezas. Hoje, cheguei à conclusão de que se vive um eterno processo de descobertas e de que não preciso voltar a viver os meus 4 anos. Achava que tinha nascido para ser publicitária, mas provei o gosto amargo da dúvida e concluí: devia ter escolhido outra área. Enfim, procuro seguir o ditado "escolhas implicam em perdas, mas são portas que abrimos para novos caminhos em nosso futuro". É isso.

18 comentários:

Dri Viaro disse...

ixi Ro, eu até hoje não fiz facu e nem sei se quero fazer rsrs, as vezes penso em fazer letras, as vezes não...é complicado...ah tb ja pensei em ser psicologa rsrs
bjssss

Fabiana Correia disse...

Será que não é nossa cabeça que "muda" com o tempo? Meu irmão, que é mais velho que eu uns 06 anos, me disse um dia: escreve numa agenda 10 coisas que vc goste e 10 que vc não goste. Daqui há 10 anos compare a lista antiga com a atual. E não é que a maioria das coisas vc vai perdendo o gosto e o hábito?

Ham, mas porque tô falando isso?
Acho que só para ilustrar que na profissão isso também conta.

Minha cabeça está tão cheia de planos, cheia de idéias, que as vezes nem sei quem eu sou, rs, parece piada, mas é sério!
Gosto de aprender sobre tudo, falar sobre tudo, conhecer quase tudo, etc e tal...

---
Nunca prestei vestibular! Quem sabe um dia, só não sei o curso que me apaixonaria de cara!!!
--

Adoro ler vc. Bj

Priscila disse...

Olá Rosi, que bom que gostou das minhas artes, respondendo suas perguntas: revendo sim e não moro em Fortaleza, moro no interior do Ceará a 300 km de Fortaleza!
Bjs querida ...

Mania de fazer arte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cláudia Ramalho disse...

Rosi, voltei no tempo... nos idos anos de 1992... minha época é ainda antes da sau. Em 97 eu já concluía minha primeira pós... Meu Deus, vc é tão novinha!

Tb tenho gastrite, mas não me seguro com uma pimentinha. Sou como peixe, morro pela boca, como diz a minha mãe.

Planejamento é tudo, mas nem tudo sai como pretendemos, é bom ter um plano B na manga.

Feliz de vc que pode contar com uma irmã. Ela é mais nova que vc?

Minhas irmas têm filhos pequenos tb. E a única solteira, já me socorre muito quando viajo com o marido a sós, uma vez por ano.

Um beijo.

Lidiane Vasconcelos disse...

Oh, Rosi! Eu sempre parto do princípio de que conhecimento nunca é demais. Acredito nisso de verdade, sem pieguices, e é um dos clichês do qual não abro mão. Logo, não há razão alguma para lamentação quando decide-se dar outro rumo a uma carreira. E é como você disse, escolhas (também) implicam em perdas. Se a gente aceita isso, é sempre menos doloroso recomeçar...

...
Por nada! Não há o que agradecer pela indicação de seu post no Bicha. Seu post ficou excelente mesmo e isso é indiscutível. Viu o feedbacks que as bichas estão dando? Pois...
Beijos!

Fla disse...

Eu prestei vestibular 2 anos depois de você, lá pelas idas de 1999. Eu queria veterinária, não passei na pública e fui fazer cursinho.

No meio do ano resolvi largar o cursinho e prestar Publicidade. Passei em Piracicaba. Fui morar sozinha com 17 anos numa cidade longe.
Odiei o curso, nada parecido com o que eu sonhava, odiava as pessoas da classe, não gostava de ficar sozinha, me frustei geral.

Voltei pra Sorocaba e pra casa da minha mãe. Fiquei 6 meses sem trabalhar, sem estudar, só dormindo e comendo...rs.
Aí eu tinha que tomar um rumo. Como eu trabalhava em Pira num web estúdio comecei a me interessar por informática. E foi ai que resolvi prestar Ciência da Computação.

Fiz, bonitinha, passei em todos os anos com louvor. Mas a faculdade não me ensinou nada. Tudo que aprendi foi trabalhando e pesquisando. E ainda me pergunto se foi a opção correta, porque definitivamente não quero fazer isso a vida toda!

=)
Beijos,
Fla

Mari disse...

Eu fiz Direito mas não concluí, não consegui, não era para mim, nada a ver comigo, agora faço Psicologia e estou muito mais satisfeita.

Aline disse...

Caramba! É tão complicado isso.. Já comecei um curso de Publicidade e tranquei, não gostei. E já tentei fazer tantos outros, mas na hora H desisti. Sabe aquela coisa de você pensar: Quero fazer isso para minha vida toda?
Essa indecisão profissional na minha vida sempre foi meu martírio..
Bjoss

Denise disse...

Oi Rosi! Muito obrigada pelo comentário lá no blog. Pode deixar que teremos outros papos intímos hehe.
Olha, eu sou fisioterapeuta. Li que era seu sonho e tal. Sempre foi o meu. Adoro a área de saúde, acho linda a minha profissão, mas se pudesse voltar não teria feito fisio. Sou decepcionadíssima com a área, com a falta de reconhecimento (inclusive financeiro). Mas acredito que muita gente passa por isso, nos mais variados cursos. Dói demais a decepção profissional. Mas ainda há tempo. Prefiro acreditar nisso. Negócio é que é necessário ter QI e QE (quem indica e quoeficiente emocional).
Beijos

Mari disse...

Eu equilibrada? Xiiiiiiii!

Atanervo disse...

O seu post me deixou mais nervosa!! xD

Vou prestar o vestibular nesse ano, e eu ainda estou em dúvida na área. Ou humanas, ou exatas, nada a ver, certo?

Não sei sobre antigamente, mas hoje passar em uma faculdade boa assusta até os alunos nota 10 da melhor escola particular. Penso ser muita pressão para um adolescente, mas quem sou eu para questionar o sistema? Só me resta estudar e ficar na torcida!

Sobre o meu blog, obrigada por ter passado lá e dado o toque, vou escurecer a letra.

Você e o seu blog estão de Parabéns!

Beijo!

Elaine disse...

Rooooosi, também fui formanda da Universidade São Judas Tadeu!!! Mas me formei em 1993, muito antes de você entrar. Nesta época que você entrou, já havia melhorado bastante coisa lá. Gostei muito da minha época universitária, mas não gostaria de voltar àquele tempo não, rsrsrs. Como pessoa de pouquíssimos recursos, eu trabalhava durante o dia e estudava à noite, pagava eu mesma meus estudos. Na época fiz o curso que meu bolso permitia, Admisitração de Empresas, mas no final, ao seguir esta carreira percebi que gostava sim daquilo e me desenvolvi bastante na área. Não gostaria de voltar àquele tempo porém, porque apesar de ter compensado, foi muito punk pra mim. Saía de casa de madrugada pra trabalhar, ía direto pra Faculdade, e depois chegava em casa depois da meia-noite. Dormia umas 4 horas por dia somente e comia muito pouco, porque entre comer e dormir, eu preferia dormir.
Agora que passou, fico pensando como consegui viver 4 anos daquele jeito, coisas que a gente só consegue fazer quando se é jovem mesmo. Agora vejo meus sobrinhos nesta fase e me dá até agonia. Apesar de ser ainda nova, tenho sobrinhos adultos já, dois deles tentando medicina e ralando pra conseguir passar nas públicas.
É tão difícil ter entre 16 e 17 anos e ter que optar por algo dessa magnitude, né? Admiro aqueles que desde pequeno sabem o que querem como profissão, se formam e se aposentam naquela profissão com o maior gosto. Apesar de ter gostado de minha profissão, sempre fico em dúvida, se haveria algo que eu gostasse mais...
Bjs, Elaine

Patrícia Pirota disse...

Oi Rosi,

Que bacana o post!

Me fez lembrar do meu vestibular também, há 10 anos atrás... Eita época do inferno... Lembro dos meus 4 dias de prova [como se um não fosse o suficiente pra nos deixar pinéis!]. Acho um absurdo uma criança de 16 anos ter que escolher o que vai ser pro resto da vida... E no alto dos meus 16 anos, eu fiquei dividida entre Letras e Jornalismo, e no cara e coroa, escolhi Letras.

E me lembrei do dia em que desisti da minha profissão, porque, assim como você, senti o gosto amargo da desilusão...
E descobri que foi uma das decisões mais acertadas que tomei na vida.

Sobre seu comentário no cafofo...
Sabe que minha cabeça fica zonza o dia todo, menina? No fundo o blog é um reflexo da confusão que é minha cachola...

Prometido! Claro que aparecerei no seu blog, uai! E nem é porque você aparece no meu. É porque gosto desse Mundinho Particular de verdade, oras!

‘Brigada pela sugestão de eu falar sobre o mestrado. Logo logo faço um post sobre isso, pode deixar.

Sabe que eu dei aulas 9 anos, e sinto uma falta danada... Ser professora é uma experiência indescritível e riquíssima... Aliás, isso logo vira post também =)

Beijão pra você!!!

Fabi Carvalhos disse...

Ih!Rosi! Lendo os comentários vi que penso um pouco como alguns por aqui. Acho que a idade conta na hora da escolha, que alguns pontos de vista, até pelas experiências que vivemos, mudam com o passar dos anos, e que aprender nunca é demais. Mas o que mais me toca nisto tudo é a possibilidade que nos foi dada de mudarmos, de fazermos novas escolhas. É claro que tudo tem seu tempo, nem sempre quando queremos, mas com um direcionamento, sempre dá. Desanima, não. Bola p/frente, que com a cabeça que vc tem, tudo pode. :) Beijão, Fabi.

Rejane Batista disse...

Caramba... arrependimento? Puxa vida. Sabe que eu também já prestei vestibular, já passei, já comecei e já tranquei e até hoje não sei o que eu faço.
Eu gosto de muitas coisas e comecei a faculdade de Direito, mas não era pra mim... hoje tenho várias opções com as quais me identifico e penso em fazer: Design de Interiores, Paisagismo, Estética, Engenharia Civil, História, Artes Plásticas... como é difícil tomar uma decisão. Mas eu não queria fazer e me arrepender. Vou me contentando pelo fato de saber que a vida é um eterno aprendizado e que eu não preciso de faculdade pra viver e ganhar dinheiro.

Adorei a linkada!
BjOs querida e ótima noite.

Rejane Batista disse...

Ah, e mais uma coisinha:
Nunca é tarde para nada, por isso não me "agunio" tanto por ainda não ter feito a minha faculdade...
Hoje em dia não tem mais idade pra estudar e fazer o que a gente quer na vida.

BjO.

Elaine disse...

Rosi, pois então, coincidência mesmo. Foi bem corrido pra mim também. E vc mencionou no texto sobre a Universidade Bras Cubas e tb me lembrei que saía correndo da Faculdade, pra chegar no metrô Tatuapé antes do trem que vinha de Mogi, pq senão ainda teria que pegar ônibus lotado pra chegar em casa. Ôôô, universitário sofre mesmo!

Beijão,
Elaine