14 agosto 2009

Da série: Gente que faz

ELA ACREDITA NO AMOR

Cada casal tem sua história e cada uma tem suas particularidades. Por que os casamentos não podem ser únicos também? Pois é, Amarílis Romanholi, minha prima postiça, partiu desse princípio, afinal sua história de amor foge do convencional. Aqui ela conta como foram os preparativos do seu casamento e todas as emoções que viveu durante o período que antecedeu o grande dia:

Amarílis e Bruno em uma das festas de seu casamento - 07.02.09. Reparem no traje do noivo.


* Como vocês se conheceram?
Nos conhecemos no trabalho. Posso até dizer que isso é meio “clichê”, afinal a gente passa a maior parte do tempo nele. A princípio, não nos dávamos bem, sempre brigávamos. Claro, não sou uma pessoa muito fácil de lidar, mas tenho que dizer que ele também não. Odiava o jeito que ele comia de boca aberta, as roupas sem passar, cabelo comprido (argh!), muito novinho (não que isso me impedisse pois sempre gostei de meninos novinhos, mas ele era novinho de tudo mesmo) e o jeito que ele falava com a namorada dele, nossa, muito meloso. Ele namorava há uns 5 anos e eu, sempre com um ou dois namorados mensais. Queria a pessoa certa, mas que ela demorasse um pouquinho pra aparecer. Um dia, aconteceu o inesperado. Ele tomou um belo pé na bunda e eu também. Ele ficou mal à beça e eu? Bom, a 1ª semana de fossa, 2ª semana de desespero, 3ª semana de reflexão e 4ª e subsequentes semanas de curtição. Aprendi a ser assim com a vida. Nem sempre fui tão querida pelos homens, então acho que se tornou mais fácil encarar as passagens da vida como processos de amadurecimento. Só que ele não pensou da mesma forma. O convenci de que a balada era ótima, a bebida também. Saímos muitas vezes num período bem grande de tempo e, sendo sincera, nunca pensei que ele poderia me chamar a atenção. Estava tão desencanada que até me ofereci a tirar a “seca” de tanto tempo com beijos e abraços já que ele não conseguia beijar uma menininha sequer. No dia do meu aniversário marquei com meus amigos numa balada do centro, mas fui com o meu ilustríssimo e uma amiga para São Bernardo e lá ficamos. Bebemos qualquer coisa com álcool e ficamos bem alegres. Ele até mais do que deveria. Fomos pra casa desta amiga e, simplesmente, aconteceu. Foi lindo, muito carinhoso. Ao passar da bebedeira continuei “apaixonada” pelo momento. Mas ele não. Ai sim, começa a verdadeira saga de convencer o “maledito” que eu era a pessoa certa para ele. Passadas muitas tentativas (e, tente imaginar, eu realmente sou insistente) ele não cedia. Até que um dia, um outro mocinho quis ter algo comigo e eu aceitei. E claro, divulguei para ele. Jesus, como esse menino chorou. Tomei um susto pois nunca tinha pensado naquilo que minha mãe dizia “os homens só dão valor quando perdem”. E foi assim, que ficamos juntos.

* E a decisão se casarem, como foi?
Bom, não houve uma decisão dessas. Primeiro estávamos cansados de nos vermos pouco – mentira, nos víamos quase todos os dias – queríamos fazer mercado e comprarmos milhões de iogurtes e chocolates (afinal somos gordinhos) só pra gente e não dividirmos com ninguém, entre outras coisinhas egoístas que chega uma época na vida da gente que fazemos questão de termos. Só que, pra variar, não tínhamos nem um real no bolso. Como comprar um apartamento? Recorri à minha mãe para nos fazer a doação de um apartamento que estava para uso de mim e de minha irmã. Porém, sempre soube que minha querida mãe jamais iria permitir que eu morasse com alguém sem casar. Então, resolvemos dar o “golpe” e fomos comprar a aliança mais fininha, simples e barata que tinha nas lojas da Praça da Sé. Nunca fiz muita questão de aliança, então escolhi qualquer uma (e estou com ela até hoje). Marcamos o noivado na minha casa, só com as pessoas da família. Claro, minha mãe fez um tamanho discurso que até disse que se ele me magoasse, ela iria buscar ele na Austrália se fosse (sinceramente, não sei o porquê da Austrália, mas acho que é porque é chique). Aí começou a saga: “LIBERTA O VÉIO DO APARTAMENTO”. O apartamento em questão estava alugado há anos e por isso, foi muito difícil liberar o idoso que lá morava. Tanto porque, ele acabou com a minha casa. Destruiu paredes, que mais pareciam ter passado por um processo de tiroteio, deixou bananas podres na pia, arrancou box e tampas da privada e colocou um ralo com pêlos que prefiro nem comentar. Chorei tanto com este apartamento, não tinha dinheiro para reformar tudo assim tão rápido. Mas ainda bem que tenho uma família participativa que quis ajudar em tudo e transformaram meu apartamento em uma perfeição. Fui morar junto com o maridinho em novembro/2008 após meses de espera e reforma cansativa, só que ainda não tinha nem uma colher...passamos no supermercado e compramos 02 pratos, 02 garfos e 01 frango. Meu chá de cozinha foi no dia seguinte e posso dizer que, como não tenho a menor noção de cozinhar (e nem quero) acho que o chá de cozinha deveria ser para o maridinho e não pra mim. Mas tudo bem, ganhei lindos presentes e eram extremamente úteis (o marido que o diga). Fomos morar juntos pensando que iríamos despistar minha família sobre o casamento e, conseguimos. Ninguém mais questionou sobre isso. Mas, o que não estava previsto era que eu ia cismar em casar. Achei que fazia parte do processo e literalmente, convenci o maridinho que era a hora de casarmos. Paguei o cartório com o dinheiro que ganhei vendendo meu vale refeição (olha a pobreza). Troquei meu nome, mesmo amando o meu, pois tinha certeza que tinha que ser a Senhora Romanholi.

* Conta pra gente como foi o dia do seu casamento?
Como sempre a questão financeira abalou as estruturas. Queria fazer milhões de coisas, festas, brindes, lembrancinhas, tudo! Mas tudo o que tinha de ideia me fazia lembrar de dinheiro. Até pensei em coisas criativas e baratas, mas a minha consciência (mais conhecida como Rosi, esta que me entrevista) acabou com todas as ideias de pobre. Casamos no dia do aniversário da minha sogra (segundo meu marido seria para não esquecer a data mesmo se quisesse) e achei ótimo. Ela, sogrinha querida, pagou um monte de coisas, o Ronaldo – primo do Bruno – bancou outras e acabamos montando um churrasco no meu antigo salão de prédio com direito a amigos, família e muita, muita cerveja e caipirinha de todos os sabores. Tenho um probleminha bem pequenino, minhas famílias são separadas, mãe e pai. E eles não se “bicam”. Tive que separar as festas. Então eu teria uma festa em casa e uma festa no prédio do meu pai. Mas ele não deixou que eu soubesse de nada da festa de lá, pois era surpresa. Um dia antes do casório, como sempre enlouqueci. Sabe, sou muito ansiosa e acabo que estressando mais do que o normal quando o caso é grave. Cismei que queria uma vela decorativa no bolo comigo e o maridinho em cima da moto, mas em cima da hora não dava. E, claro, queria um vídeo com a retrospectiva de nosso relacionamento. O Bruno, meu marido, até tentou fazer, mas o computador travou e, claro, briguei muito com ele. As lembrancinhas então foram um caos para decidir e acabei decidindo não ter nenhuma mesmo. Pensei em coisas baratinhas, em coisas caras, e é claro que as baratinhas ganharam, mas como sempre gosto de pedir opinião alheia e acabei pedindo a opinião desta que me entrevista, mas ela estava passando por uma fase turbulenta e estava num mau humor só. Assim, pra não precisar agradar a todos, pensei em agradar meu bolso e não fiz nada de lembrancinha. Comprei um vestido fofo (pra mim, é claro) branco e coloquei um broche de rosa branca no meio pra não ficar com um decote escandaloso. Fui pro cartório com a minha mãe e cheguei no horário. Já meu marido, a verdadeira noiva, chegou atrasado. Ah, e vale a pena constar que, meus padrinhos também. Casamos num cartório simples, do Bairro da Lapa, mas com um juiz muito bom nas palavras. Todo mundo chorou, foi muito lindo. Na festa nº 01, demos muita risada, passamos a gravata e foram muitos amigos... Fiz até uma dedicatória para meu amor cantando a música da época – “Beijinho Doce” da carrasca da novela das 20h – A Favorita. Tivemos a 2ª festa à noite, estava quase morrendo de cansaço e ainda por cima choveu demais. Nesta outra festa, teve vídeo de retrospectiva, vela personalizada e jogaram arroz. Foi bem engraçado e fiquei muito feliz com as pessoas que estavam lá. Sinceramente, tive as melhores festas, os melhores amigos e familiares comigo. Acho que aproveitei meu dia e estou muito feliz. Não me arrependo de não ter investido nem mais nem menos em meu casório, pois ele saiu como nosso amor é: improvisado e com muito carinho.

* Para você casar significa...
Sempre achei que casar era unir e ponto final. E sempre tive muito medo de casar e ver minha história se repetir como a dos meus pais. Casar para mim, a partir do momento em que escolhi casar, significa ser um só, unir corações, amores, opiniões, medos, anseios e oportunidades. Hoje, me sinto completa. Não sei mais como seria ser solteira. Mudou muita coisa em minha vida. A sensação de que as coisas andam sim pra frente e que hoje, eu não patino mais nas minhas decisões. Claro que a gente quebra o pau de vez em quando, mas já fazíamos isso quando éramos solteiros. E acho que quando a gente briga é porque nos importamos um com o outro e costumo dizer a ele que, quando eu parar de brigar é porque eu já não me incomodo mais, não me importo. Então, continuamos brigando. Mas sempre com respeito e brigas que levam há algum lugar. Eu amo de paixão meu maridinho. Ele está comigo sempre, fazemos tudo juntos e aprendemos a respeitar um ao outro. Com certeza, indico para todos, casar é muito bom!

* Como você descobriu que ele é o amor da sua vida?
Não sei. Acho que desde que o conheci. Sinceramente, acho que foi Deus quem descobriu que ele era a pessoa certa pra mim para sempre, sempre e sempre.

Amarílis tem um blog que ela simplesmente abandonou e alega que o motivo é a vida de profissional e dona de casa. (tsc, tsc)

9 comentários:

Estúdio de Design disse...

Adorei a história! Eu estou no pique do casório... legal ver uma história que a pessoa seguiu exatamente o que queria fazer e não o que as pessoas esperavam que ela fizesse!
Beijo

Blog Dri Viaro disse...

Otima historia
bjsss

Anônimo disse...

Rá! Sou euuuuuu!!! hehehehe!
Beijinhos e Obrigada pela entrevista! Amarílis

Re Batista disse...

Que história! É incrível como cada pessoa tem um livro para contar não é?
Afirmo: Casar é muito bom!
BjOs Rosi, e ótimo fim de semana.

Equipe do Site disse...

Oi!!

Adorei o post! As vezes a pessoa certa tá do nosso lado e a gente não enxerga por nada até a hora em que dá um estalo e pronto... (acho que eu estou cega, rs)

Fiquei super contente por você ter linkado meu humilde bloguinho aqui :):):)
Obrigada!!!!
O seu também já está nos meus dois, mas é estranho que nem sempre aparece. Acho que é por causa de data de postagens, né?

Bjss e bom fim de semana!

Fabi Carvalhos disse...

Oi, Rosi! Eu e André não somos casados, optamos pela certidão de união estável. O mais engraçado é que nunca desejei casar, ao contrário da maioria das mulheres, né? Sempre achei tudo muito caro e dispendioso, e como nossa união não foi planejada, preferimos oficializar desta forma. Mas adoooro festas de casamento! Tudo sempre tão lindo, meio conto de fadas. Quem sabe não mudamos de idéia um dia... Parabéns, Amarílis! Sua história é mesmo muito bonita e emocionante. Beijão, Fabi.

Aline Vachelli disse...

Ah que história linda!!!
Adoro saber de histórias de amor e adoro contar a minha...hahahhaa...
Muita felicidade a você Amarílis e ao seu marido!!!
Beijos

Luci Cardinelli disse...

aaahhh eu adoro história de gente!!! Muito boa!!

bejus e muitas felicidades ao casal

Fla disse...

Que bacana!
É bom legal conhecer um pouco sobre as histórias de amor dos outros não é mesmo?
Adorei.
Bjs
Fla