A mulher tem que amamentar exclusivamente. Desde que ficamos grávidas e vamos pesquisar na internet sobre a amamentação somos bombardeadas com 1 milhão de informações. Ouço histórias de mães que quase “morreram” por terem que complementar a mamada de seus bebês. Lemos e ouvimos tanto isso que quando temos que tomar essa atitude, nos parece extremamente frustante como mães. Algumas reagem de maneira normal, outras ficam um pouco chateadas e outras, péssimas. Devo confessar que estou no segundo grupo, tenho chorado muito diante as várias cobranças e palpites que recebo, o que tem me deixado muito mal.
Aquela sensação de estar fracassando como mãe me consome e me deixa muito triste, se não fosse pelo meu marido e seu apoio, talvez eu entrasse numa depressão. Não conseguia tirar da cabeça a imagem daquelas campanhas de amamentação dizendo que meu filho ia ser menos saudável e cada vez que recebemos uma visita ou um telefonema, a pergunta é sempre a mesma: Ele mama só leite do peito, né? Se a resposta é negativa, sempre levo uma "advertência". Isso pra mim é como um soco na boca do estômago que me dá uma revolta enorme. Eu me dediquei de corpo, alma e coração pra que conseguisse amamentar meu filho e ninguém mais do que eu conhece o sofrimento e a frustração de não ter conseguido.
Tomei uma decisão:chega de querer agradar a todos. Tenho que aprender a conviver com isso, aprender a não me culpar e acreditar que tenho feito o meu melhor. Tenho que prestar atenção em como meu filho está crescendo com saúde, engordando e se desenvolvendo como qualquer criança.
Dudu mamando leite materno no conta-gotas
Dudu mamando ainda na maternidade (quando ainda aceitava o peito)
Meu filho recebe leite materno, porque consigo uma produção razoável com a ajuda de medicamentos (para quem não sabe, meu leite demorou a descer e quando aconteceu, a produção era muito pequena) e complemento. No começo ofereci a ele com conta-gotas para que ele não perdesse o movimento de sucção do peito e tentava dar o peito, mas infelizmente ele rejeita o peito com todas as forças, chora, berra até perder o fôlego. Por poucas vezes tive sucesso nas tentativas de dar o peito, mas foram tão rápidas que nem me impolgaram. Li muito, conversei com várias mamães, tentei truques, recebi ajuda de algumas pessoas (Obrigada Tati e Patrícia, blogueiras queridas). O que me resta? É alimentá-lo da melhor maneira. Coloco amor, cumplicidade, carinho e energia mesmo sendo através da mamadeira, que tomei coragem e comprei uma ontem, a mais bonita e eficiente da loja e somente nessa madrugada ofereci ao meu filho. Confesso que foi difícil pra mim, mas não pensei muito no que é certo ou errado de acordo com as regras da sociedade.
Então, hoje ele toma leite materno na mamadeira e complemento também. Ofereci o famoso NAN 1 durante duas semanas, mas percebi que ao contrário do que dizem, ele teve diárreia. Por orientação da pediatra (aquela general homeopata) mudei hoje para o Similac Advance, vamos ver como o Dudu aceitará tal mudança. Meu filho é guloso, toma 60 ml de leite materno + 60 ml de complemento.
E agora quando alguém me perguntar se ele ainda mama no peito, talvez eu minta, talvez eu diga a verdade, mas sei que estarei com o coração leve depois disso. Sei que meu filho precisa do meu melhor e para isso tenho que estar bem psicologicamente, esse assunto estava me matando de culpa, não quero mais isso para minha vida e do meu filho.
Talvez você que está lendo essa história sobre a amamentação me critique, desculpe eu não sou perfeita, e essa é sim uma história triste. Mas através dela gostaria de dar um ombro amigo às mães que tiveram ou tem o mesmo problema mesmo com muito esforço e total dedicação e que se sentiram tão fracassadas quanto eu.
Adendo: Agradeço todas as pessoas que passaram por aqui leram esse relato, deixaram comentário ou simplesmente entenderam o meu lado. Acredito que não voltarei a falar a respeito, pois ainda não me sinto totalmente forte e esclarecida sobre o assunto.

