‘Embora seja um processo natural, embora pareça fácil, embora ame o teu filho mais que tudo no mundo.’ Amamentar não é fácil... É com essas palavras, emprestadas da amiga Thaline (querida) que venho registrar o que tem sido amamentar para mim:
Dudu foi para o quarto logo nas primeiras horas de vida e fui incentivada a oferecer o peito pela enfermeira, sem receios ofereci, ele pegou de uma maneira um tanto quanto desesperada e mamou o pouco colostro que tinha. Foi assim durante toda a primeira noite e nos dias que estivemos na maternidade. Confesso que não tinha me ligado ao fato de arrotar, acredito que tenha sido por causa de tantas informações e emoções que vivi.
Quando tivemos alta, a cada vez que eu ofereci o peito a ele era um sofrimento, percebi que ele sugava muito mais a parte de cima do bico do que a inferior, resultando numa fissura nos dois peitos. No dia seguinte eu já não conseguia dar de mamar sem dor, os bicos ficaram em "carne viva" e sangravam mesmo aplicando pomada (Lanidrat) após cada mamada.
Marquei consulta com uma pediatra próximo de casa até pelo fato que eu iria sozinha com o pequeno, escolhia aleatoriamente, para minha tristeza. Já de cara não gostei muito da médica, acredito que a primeira impressão é importantíssima e a minha não foi das melhores, eu estava certa. A primeira bronca foi por causa da chupeta, oras, todas sabemos que chupeta tem malefícios, mas se usada com moderação, ela acalma o bebê. Eu sou à favor da chupeta, percebo que o Dudu fica bem calmo com ela, consigo perceber quando ele a usa para se acalmar e as vezes "pegar no sono", então oferecerei sim chupeta a ele.
Mas o crucial foi o ponto "amamentar", disse à ela que estava com problemas, pois acreditava que a pega dele estava errada e meus peitos estavam bastante judiados. Além disso, percebi que ele ficava muito tempo mamando (de 30 a 40min.), o que parecia que não ficava saciado. Ela pediu que eu colocasse ele no peito, quase chorei na frente dela tamanha era a dor e nervosismo que estava. Quando ele terminou, ela pode ver o estado que estava meu peito e disse que meu leite não era suficiente e fraco; que ele mamava muito tempo, ficava exausto e dormia; que os períodos de sonos eram extensos demais, o que podia provocar uma hipotermia; que ele não estava engordando e podia ficar desnutrido; enfim que tava tudo errado. Gente, eu me senti A PIOR MÃE DO MUNDO. Não conseguia acreditar que mesmo me preparando, lendo a respeito, conversando com várias mamães, eu estivesse totalmente errada.
Acredito que ela pode ler minha mente, porque depois disso tentou mudar de discurso. Informou que era homeopata. Abre parênteses: na minha ignorância, eu não confio na homeopatia. Respeito que a escolhe para se cuidar e cuidar de sua família, mas para mim, ela não funciona. Fecha parênteses. E que passaria alguns remedinhos para ajudar a mim e ao bebê. Escutei o que ela disse, mas eu estava tão passada e até mesmo humilhada com a falta de tato daquela médica que queria que um buraco se abrisse para eu sumir dalí.
Saí de lá chorando e agradeci por estar com meus óculos escuros enormes. Liguei para meu marido que veio correndo para casa (tadinho) me socorrer. Juro que nunca agi assim, sou uma pessoa forte, quando choro é sempre escondido, não faço alardes, mas a maternidade definitavamente me mudou. Uma sugestão do marido foi ligar para minha GO e pedir um help, sábia decisão, ela me atendeu com todo carinho, me tranquilizou e receitou uns remedinhos (Plasil e Syntosinon) para aumentar a produção de leite. Sugeriu que eu comprasse um bico de silicone (já tinha visto essa sugestão no blog da Tati mãe do Miguel e nem dei muita importância), continuar com a pomada, mas só voltar a oferecer o peito livre do bico quando estivesse completamente cicatrizado. A ideia é ordenhar o leite com a bombinha e oferecer ao Dudu com conta-gotas ou colher para que ele não perca o ato de sugar. Também passo um leite complementar (NAN) para ser oferecido até a situação se normalizar (e ele ganhar peso), porém intercalando com meu leite.
Fiz tudo exatamente como ela receitou e para minha surpresa, o pequeno já demonstrou sinais de melhora: tem dormido menos (3 ~ 4 horas), mamado direitinho, arrotado, sorrindo de satisfação e feito cocô com frequência. Sobre a pega dele no peito, amanhã tenho consulta com minha GO para a retirada dos pontos da cirurgia e ela ensinará uma técnica para que a pega seja correta. Percebi que o Dudu tem um queixo pequeno e para dentro, como o pai, e talvez isso dificulte a pega. Volto para contar para vocês. Já marquei novo pediatra para ele, temos consulta na próxima quinta-feira. Logo que liguei para marcar, perguntei à secretária se era um homeopata (rsssssss).
Nunca fui radical quanto à amamentação. Adoraria dar de mamar por 4 meses integralmente, mas se isso não for possível, procurarei alternativas para dar ao meu filho uma alimentação equilibrada. Isso não quer dizer que não vou tentar, estou tomando todos os cuidados para que eu possa voltar a amamentar naturalmente. Confesso que cansa a pressão que sofremos para ter um parto normal e dar de mamar no peito, todo mundo adora fazer isso, mas na prática a coisa não é tão fácil e nem sempre saí como planejamos.
Talvez, você tenha uma opinião diferente da minha, que eu me desesperei à toa, que escutarei coisas desagradáveis de vários médicos, que sou sensível, blábláblá. Mas acredito que um pediatra, principalmente na primeira consulta de uma mãe de primeira viagem, tem que ter sensibilidade e tato acima de tudo. Vou sempre buscar o que é melhor para mim e para meu filho e sei que o melhor é ter um médico acolhedor e paciente.